No debate promovido pela TV Band na noite de domingo (9 de agosto de 2026), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, acusou Fernando Haddad (PT) de ter subido ao palco com uma mulher que, segundo ele, comandava o tráfico de drogas na Favela do Moinho, na região central de São Paulo. Haddad reagiu imediatamente, classificou a fala como “deselegância”, questionou por que o governador não havia prendido a mulher se já sabia de sua atuação e exigiu: “Baixa essa bola”.

TARCÍSIO CITA CENA DE PODER AO LADO DE TRAFICANTE DO MOINHO

Durante a discussão sobre segurança pública e enfrentamento ao crime organizado, Tarcísio afirmou que seu governo teve “coragem” de entrar na Favela do Moinho, desmobilizar a área e prender quem comandava o tráfico no local. Em seguida, destacou o que chamou de “cena ruim”: membros do poder, “inclusive Fernando Haddad no palco com a traficante que comandava o tráfico na Favela do Moinho”. O governador usou o episódio para contrastar a atuação estadual com o que classificou como omissão ou proximidade inadequada.

HADDAD NEGA CONHECIMENTO E COBRA PRISÃO ANTERIOR

O petista respondeu de forma direta. “Que deselegância, rapaz. Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece? Se você sabia que ela era uma traficante, por que você não foi lá prender? Eu não sabia. Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão para ela. Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando. Então você respeita, abaixa essa bola”, disse Haddad. A troca elevou o tom do segundo bloco do debate e gerou reação na plateia.

QUEM É A MULHER CITADA E O QUE ACONTECEU EM 2025

A pessoa referida por Tarcísio é Alessandra Moja Cunha, então presidente da associação de moradores da Favela do Moinho e irmã de Leonardo Moja, conhecido como Léo do Moinho, apontado pelo Ministério Público como líder do tráfico do PCC no centro da capital e preso em 2024. Em junho de 2025, durante evento oficial do governo federal na comunidade para anunciar acordo habitacional, Alessandra foi chamada ao palco como liderança comunitária. Na ocasião estavam presentes o presidente Lula, o então ministro Fernando Haddad e outros ministros. Ela cumprimentou o presidente e participou da cerimônia. Em setembro de 2025, Alessandra foi presa na Operação Sharpe, deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo com apoio das polícias. Segundo a denúncia, ela auxiliava o irmão na transmissão de ordens de dentro da prisão, na administração de imóveis ligados ao tráfico e na cobrança de propinas de moradores reassentados. Ela também possui condenação anterior por homicídio qualificado.

GOVERNO ESTADUAL DESTACA OPERAÇÕES E DESMOBILIZAÇÃO

Tarcísio e o então secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite celebraram as ações na Favela do Moinho como exemplo de enfrentamento ao crime organizado. O governador afirmou que a área funcionava como “quartel-general” do tráfico que abastecia a Cracolândia e que o Estado teve coragem de entrar onde outros não entravam. A desocupação e o reassentamento das famílias ocorreram em parceria com o governo federal, mas a narrativa estadual enfatiza o protagonismo nas operações policiais e na quebra da estrutura criminosa.

EMBATE REVELA CONTRASTE ENTRE DISCURSO E PRÁTICA

O momento do debate expôs a diferença de abordagem entre os dois candidatos. De um lado, o governador que cobrou resultados concretos no combate às facções e usou o episódio para questionar a seletividade de quem divide espaços públicos com figuras depois reveladas como ligadas ao crime. Do outro, o candidato do PT que negou qualquer proximidade e transferiu a responsabilidade pela prisão para o próprio governador. A troca de acusações nacionalizou ainda mais o embate e reforçou a polarização que marca a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.