STF USOU O VAZA JATO HACKEADO CONTRA MORO E AGORA TRAVA O CELULAR DE VORCARO
Em 2019, Gilmar defendeu usar mensagens obtidas por hacker para anular a Lava Jato. Agora a Corte resiste a investigar Moraes com chats já periciados pela Polícia Federal
O Poder360 publicou nesta quarta-feira (30) o contraste. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal aceitou mensagens hackeadas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol para frear a Lava Jato. Sete anos depois, com o celular de Daniel Vorcaro já apreendido e periciado pela Polícia Federal, uma parte da Corte resiste a investigar Alexandre de Moraes.
As mensagens da Vaza Jato saíram em 9 de junho de 2019, no Intercept. Um hacker as tirou de forma ilegal. Elas mostravam Moro e Dallagnol combinando estratégia, o procurador em dúvida sobre as provas do triplex de Lula e a força-tarefa articulada para impedir uma entrevista do petista. No dia seguinte, Gilmar Mendes chamou o conteúdo de “fato muito grave”. Em 11 de junho, disse que a origem ilegal “não necessariamente” anularia as provas. Comparou com um caso de assassinato em que uma prova ilegal mostra que o condenado não é o autor.
Gilmar voltou ao tema em 13 de junho e, em 17 de junho, leu um diálogo da Vaza Jato no plenário, durante o julgamento do inquérito das fake news. Cristiano Zanin, então advogado de Lula, falou em “conluio” entre Moro e os procuradores e pediu a liberdade do cliente. Lula saiu da prisão em 8 de novembro de 2019, depois de 580 dias, sem ser absolvido. O Supremo, ainda sob o impacto daquelas mensagens, declarou Moro parcial. A Segunda Turma fez isso em 23 de março de 2021. O plenário confirmou três meses depois. As ações foram anuladas para recomeçar em outra instância, e isso não aconteceu.
O celular de Vorcaro é outro tipo de material. Foi apreendido na primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025, e periciado pela PF. As primeiras conversas apareceram em março de 2026. O relatório com as 52 mensagens entre Moraes e Vorcaro saiu em 1º de setembro. Também há dois contratos da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, que juntos poderiam chegar a R$ 158 milhões, e um vídeo de agosto de 2025 em que o casal desembarca de um jatinho ligado a Vorcaro no Santos Dumont.
Moraes, em março, negou ter recebido mensagens de Vorcaro na época da prisão. Em setembro, num ofício a Edson Fachin, voltou a questionar que as mensagens apontadas pela PF como enviadas a ele tenham existido. Na sessão de 15 de setembro, Gilmar disse que André Mendonça, relator do caso Master, fazia uma “evidente condução política-eleitoral”. Flávio Dino pediu vista. Na segunda (28), Gilmar publicou a questão de ordem em que defende suspender por tempo indeterminado o julgamento sobre investigar Moraes, até que todos os magistrados citados nas conversas sejam informados. Dino, Zanin e o próprio Moraes caminham no mesmo sentido de adiar.

