SORAYA FALA EM INTERFERÊNCIA AMERICANA E A DIREITA VÊ NISSO O ROTEIRO DO GOLPE
Ao votar em Campo Grande, a senadora disse que a democracia está vulnerável por causa de outro país e de políticos brasileiros, no mesmo dia em que o presidente do TSE afirmou não haver indicativo concreto de interferência
Soraya Thronicke chegou neste domingo à escola municipal Arassuay Gomes de Castro, em Campo Grande, para votar, e disse que via algo estranho no ar, algo que nunca tinha visto em três eleições como candidata, porque, nas palavras dela ao Campo Grande News, havia uma tentativa de interferência de outro país e, pior do que a tentativa externa, políticos brasileiros instigando isso, o que ela chamou de grave demais, além de afirmar à A Crítica que a democracia está vulnerável, como sempre esteve, e que a soberania também está, e de lembrar que em 2023 houve gente de mão firme para segurar a democracia, que ainda corre risco.
A fala dela é o mesmo argumento que a esquerda vem empilhando desde antes da urna abrir, já que a BBC registrou, em 29 de setembro, que a campanha de Lula pediu ao Supremo que investigue se os Estados Unidos agem em favor de Flávio Bolsonaro e pediu a cassação da chapa adversária, enquanto a Advocacia-Geral da União levou à Polícia Federal uma reportagem do Guardian sobre recursos do governo Trump para um programa ligado ao Brasil, e a corporação abriu uma apuração preliminar sem publicar portaria de inquérito, o que não comprova interferência. No mesmo domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, declarou que não há indicativo concreto de interferência internacional e que relatórios da Polícia Federal e da Abin não apontaram risco dessa natureza.
Na leitura da direita, o que cresceu não foi a prova, e sim o roteiro do golpe contra o resultado, porque a acusação de intervenção estrangeira, sem fato confirmado pelo próprio tribunal eleitoral, fica pronta para servir de desculpa caso Flávio vença no dia 25, e a senadora que repetiu essa tese disse, no mesmo ato de votar, que confia no sistema e respeita a urna, embora o plano A, o B e o C dela fossem continuar no Senado, de onde ela sai em 2027 depois de terminar em quarto no Mato Grosso do Sul, com 13,07% e 340.788 votos.

