No dia em que Flávio Bolsonaro saiu na frente do primeiro turno, o Estado de Minas reproduziu o The Guardian com a afirmação de que o senador teria ligações com máfias paramilitares no Rio e de que, se vencesse em 25 de outubro, a intenção seria livrar o pai da condenação por golpe, reciclando a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, parentes contratados na Alerj e o velho dossiê da rachadinha como se fosse fato novo da campanha.

O que a Justiça fez é outra coisa. Em outubro de 2020 o Ministério Público do Rio denunciou Flávio, Fabrício Queiroz e outros 15 por organização criminosa, peculato e lavagem, com o relato de 483 depósitos e mais de R$ 2 milhões na conta de Queiroz, mas essa denúncia nunca foi julgada no mérito, porque em 2021 a Segunda Turma do STF, com Gilmar Mendes, invalidou as quebras de sigilo e em 2022 o Tribunal de Justiça do Rio rejeitou a acusação por falta de justa causa, de modo que o G1 registrou neste domingo o ponto que o jornal inglês passou por cima: Flávio foi denunciado e não foi condenado.

O que voltou agora é o uso eleitoral do arquivo fechado. Em setembro, Lindbergh Farias, do PT e vice-líder do governo, pediu a Alexandre de Moraes que reabrisse o caso e incluísse Flávio num inquérito de milícia, citando uma emenda de cerca de R$ 200 mil, e no dia 29 Gilmar manteve a quebra de sigilo de Danielle da Nóbrega, ex-assessora e ex-mulher de Adriano, o que não é sentença contra o candidato. Lula entra no segundo turno sem uma condenação nas mãos e com a imprensa progressista transformando especulação velha em artilharia para as três semanas que faltam até 25 de outubro.