No debate da TV Globo entre os candidatos ao governo de Minas, na terça-feira (29), o governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD) declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência, numa rodada com Flávio Roscoe (PL) sobre a dívida do Estado com a União, e a frase que ele disse foi que espera que seja Flávio Bolsonaro, porque não é possível continuar convivendo com Lula no poder, leitura que O Tempo publicou como o momento em que Simões deixa de lado Romeu Zema, antecessor e padrinho político, que também concorre ao Planalto, num distanciamento que o jornal já via nas ruas e no meio da crise do Novo em Minas.

O peso da frase está no que Simões tinha dito uma semana antes, porque, na sabatina de O Globo, Valor e CBN, em 23 de setembro, ele defendeu a unificação da direita em Flávio e, ao mesmo tempo, afirmou que, por coerência e lealdade, ainda pedia votos para Zema, reservando para o segundo turno o palanque que chamou de puro para o senador do PL, com a ressalva de que Cleitinho já teria dito que quer os votos de Lula, de modo que a terça na Globo tirou o nome do padrinho da resposta e colocou no lugar a torcida explícita pela vitória de Flávio já na eleição em que os dois estão na urna.

Na mesma resposta, Simões disse que, se Flávio for eleito, vai propor que a parcela mensal da dívida, de R$ 700 milhões, seja aplicada na recuperação de rodovias como a BR-262, a BR-381 e a BR-040, e contou que perdeu os pais aos 14 anos num acidente na BR-262, na Serra da Saudade, em Campos Altos, enquanto Roscoe concordou com o apoio ao candidato do PL, disputou o mesmo eleitorado e respondeu que, nesse ponto, teria de discordar de Mateus, porque a melhor opção de tirar o PT do segundo turno seria o próprio Flávio Roscoe.

O que o debate deixou para os quatro dias que faltam até o primeiro turno é um palanque mineiro rachado dentro da própria direita, porque o governador que herdou o cargo de Zema disse, diante da Globo, que a Presidência que ele espera é a de Flávio Bolsonaro, e o candidato do PL ao governo de Minas aceitou o nome do senador contra Lula, mas quis o eleitor para si na conta de quem tira o PT do segundo turno.