O senador Carlos Viana (MG) subiu o tom contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e cobrou explicações sobre a relação dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, exibida na quinta-feira (24/9), Viana afirmou que as mensagens reveladas "mostram claramente a ligação de Davi Alcolumbre com Daniel Vorcaro" e que, "sem fazer nenhuma pré-condenação", os casos precisam ser investigados. "O Conselho de Ética do Senado tem que se manifestar sobre esse assunto", declarou. O senador disse ainda que há mensagens em que Vorcaro conta à então namorada, Martha Graeff, que era recebido na residência oficial da Presidência do Senado, onde, segundo Viana, as festas "eram muito doidas". "Ele mesmo fala isso, não sou eu que estou inventando", afirmou.

Viana listou as suspeitas que, na avaliação dele, exigem resposta: a denúncia da possibilidade de recebimento de 30 milhões de dólares e a de favorecimento em votações para ampliar o acesso do Master a novos créditos. A suspeita dos 30 milhões de dólares apareceu em proposta de delação que a defesa de Vorcaro enviou à Polícia Federal, revelada pela VEJA em junho. O acordo não foi aceito, e Alcolumbre classificou as informações como falsas. Mensagens extraídas do celular do banqueiro e enviadas pela PF à CPMI do INSS mostram Vorcaro relatando à namorada uma reunião "até meia-noite" na residência oficial do Senado em 3 de agosto de 2025, segundo a Folha de S.Paulo. Nesta semana, a VEJA publicou mensagens em que Alcolumbre responde a Vorcaro: "Sou seu irmão. Pra vida toda".

"O que nós temos hoje é um silêncio ensurdecedor, um silêncio de omissão", disse Viana, que criticou "um presidente que não quer vir a público dar explicações". O senador afirmou que a cúpula do poder no país tem "explicações a dar", citando a Procuradoria-Geral da República e pelo menos três ministros do Supremo Tribunal Federal envolvidos em casos suspeitos, e defendeu mudanças na Constituição a partir do próximo ano para ampliar os mecanismos de investigação. Segundo a VEJA, ele acusou a existência de uma "blindagem" na Casa e disse que Alcolumbre "mantém a Casa fechada, o plenário trancado".

Sem o Conselho de Ética instalado, Viana recorreu ao STF. Segundo o Valor Econômico, ele pediu à ministra Cármen Lúcia que determine o funcionamento do colegiado e afirmou que, uma vez instalado, poderá liderar um pedido de afastamento de Alcolumbre da presidência do Senado. O senador já havia protocolado no início de setembro uma representação contra o presidente da Casa no Conselho de Ética, a PCE 17/2026, segundo a Rádio Senado. Na mesma semana, o ministro Cristiano Zanin negou recurso para a instalação da CPI do Master.