O governo federal enfrentou nesta semana um ataque cibernético classificado como “sem precedentes” contra o Gov.br e as estruturas tecnológicas do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). A informação foi divulgada por André Picoli Agatte, diretor de Novos Negócios da estatal, durante a II Semana de Inteligência Artificial do Serpro, realizada entre 4 e 6 de novembro em Brasília.

“Essa semana nós tivemos um ataque sem precedentes ao GovBR, enfim, às nossas estruturas, e nós temos conseguido responder. Nós temos mostrado resiliência e temos mostrado capacidade de resistir”, afirmou Agatte. Não foram apresentados detalhes técnicos sobre a natureza da ofensiva, os sistemas atingidos ou eventuais danos.

Em nota oficial divulgada no dia 5, o Serpro esclareceu que, ao longo do último semestre, registrou os maiores volumes de ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) de sua história. A estatal afirmou que suas equipes de segurança acionaram mecanismos de detecção e mitigação e que não houve interrupção ou comprometimento dos ambientes do ecossistema Gov.br. Não há confirmação de invasão bem-sucedida, vazamento de dados pessoais ou comprometimento de contas de usuários.

A plataforma Gov.br reúne cerca de 179,5 milhões de contas ativas e concentra serviços digitais federais utilizados diariamente pela população. O episódio ocorre em paralelo a uma instabilidade no Pix na noite de sexta-feira (6), com cerca de 11 mil reclamações no Downdetector, mas o Banco Central informou que o problema foi rapidamente solucionado e não há confirmação de relação com o ataque ao Serpro.

Os fatos levantam questionamentos sobre a segurança e a dependência dos brasileiros em relação aos serviços digitais do governo.