Relatos sobre a presença de cerca de dois mil homens armados na região de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, na fronteira com a Colômbia, mobilizaram o Exército Brasileiro e assustaram comunidades indígenas da área. A informação circulou nas redes sociais e levou o Comando Militar da Amazônia a intensificar ações no âmbito da Operação Jaguaretê.

Patrulhas de reconhecimento do 6º Pelotão de Fronteira e do 5º Batalhão de Infantaria de Selva percorreram trechos do Rio Tiquié e do Igarapé Castanho. Segundo comandantes envolvidos, não foram encontrados homens armados em grande número, estruturas paramilitares ou integrantes de forças estrangeiras atuando em território brasileiro. A inteligência militar apontava, no máximo, a possível circulação de um grupo muito menor, de quatro a cinco pessoas.

Vídeos que viralizaram afirmando mostrar a “invasão” foram desmentidos por checagens. Agências como a Lupa e o UOL Confere identificaram que as imagens eram antigas e não haviam sido gravadas na Amazônia brasileira. O Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar denúncias de presença de grupos armados em áreas indígenas do Alto Rio Negro, mas sem confirmação de uma incursão em larga escala.

A Operação Jaguaretê, realizada entre julho e setembro de 2026, teve escopo mais amplo: reforçou a presença do Estado em faixas de fronteira da Amazônia e do Oeste, com média diária de cerca de 800 militares. O balanço oficial aponta apreensão de mais de 20 toneladas de drogas, 440 kg de explosivos e 70 veículos, com prejuízo estimado de R$ 280 milhões às organizações criminosas. A fronteira Brasil-Colômbia permanece sensível a ilícitos transnacionais, e o Exército mantém monitoramento contínuo da região.