“SE EU FOR PRESIDENTE DO SENADO”: ROGÉRIO MARINHO PROMETE ABERTURA AUTOMÁTICA DE IMPEACHMENT DE MINISTROS DO STF COM 49 ASSINATURAS
Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro e favorito ao comando do Congresso numa vitória do PL, o senador disse à VEJA que vai mudar o rito que hoje deixa o impeachment nas mãos de um só homem. Ele chamou de “espetáculo de deboche” a sessão do STF que adiou a decisão sobre investigar Moraes.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirmou em entrevista às Páginas Amarelas da VEJA, publicada nesta sexta-feira (25), que vai mudar o rito de impeachment de ministros do STF se assumir a presidência do Senado. “Se eu for presidente do Senado, vou implementar a mudança do rito”, disse. A proposta dele é que um pedido assinado por 49 senadores tenha abertura automática, sem depender da vontade do presidente da Casa, que também poderá abrir o processo se entender que há elementos suficientes. Segundo a revista, Marinho se credencia como favorito ao cargo numa eventual vitória de Flávio.
Marinho disse que não quer agir “como Alexandre de Moraes, que acusa e julga”, e que votará pelo afastamento definitivo se as provas o convencerem. Segundo ele, hoje não há maioria pró-impeachment no Senado e o que existe é “uma avacalhação”, citando o jantar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na casa de Moraes “para promover um ‘namoro’ com o Lula”. Sobre a sessão do Supremo que adiou para depois da eleição a decisão sobre investigar Moraes, afirmou que foi “um espetáculo de deboche, com firulas legais para impedir a abertura do inquérito”, e acusou Gilmar Mendes e Flávio Dino de tratar colegas com “truculência e chantagem”.
Na entrevista, o senador também defendeu Flávio no caso Dark Horse. Disse que a relação do candidato com Vorcaro foi “entre entes privados”, que o dinheiro pedido foi para um fundo nos Estados Unidos que financiou o filme sobre Jair Bolsonaro e que “está tudo explicado”, embora tenha admitido que Flávio deveria ter tornado a relação pública assim que os problemas do banqueiro surgiram. Para Marinho, o envolvimento do entorno de Lula é “muito mais grave”, com Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Jaques Wagner recebendo recursos do banco por meio de familiares ou consultorias.
A proposta retoma o que Marinho anunciou em 14 de setembro, quando acusou a discricionariedade de Alcolumbre de funcionar como “blindagem” de ministros, segundo o Valor. A abertura com 49 assinaturas não basta para afastar um magistrado, o que exige 54 dos 81 votos, mas tiraria da gaveta pedidos que hoje dependem de uma única caneta. Com a projeção de uma bancada de direita próxima da maioria no Senado, a promessa transforma a eleição de 4 de outubro também num plebiscito sobre o futuro de Moraes e Dino.

