Rodolfo Schneider, do X da Questão, na BandNews, disse nesta segunda (28) que Flávio Dino só descobriu a liberdade de expressão quando a caneta era de André Mendonça. A frase: “Ele, que se levantou contra uma decisão de André Mendonça, porque agora é oposicionista, não se levantava contra Alexandre de Moraes nos desmandos do Inquérito das Fake News.” Schneider chamou de “cambalhota jurídica” o caminho que Dino usou para derrubar a ordem e completou: “Ele rasga quando quer o devido processo penal.” A ordem de Mendonça foi no TSE, na sexta, e tirou do ar o post de Antonio Tabet e mais de mil publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro. No domingo, Dino suspendeu. Nesta segunda, mandou o caso ao plenário e falou em “censura em massa”.

O apresentador foi buscar agosto. O blogueiro maranhense Luís Pablo publicou, a partir de novembro de 2025, reportagens sobre o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e familiares. Dino nega uso irregular. Em março, Moraes autorizou busca e apreensão. A polícia levou dois celulares, um notebook e um pen drive e, pelas mensagens, chegou à fonte: o ex-secretário Raimundo Cutrim. Em agosto houve nova operação, também contra o advogado Diogo Diniz Lima. Moraes disse, no dia 13, que sigilo de fonte “nunca se confundiu e jamais se confundirá com escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”. Pablo nega ter vendido reportagem e diz que o valor citado era empréstimo pessoal, já devolvido. O relatório de inteligência da PF, segundo Malu Gaspar no Globo, não viu indício de violação de sigilo funcional pelo jornalista e disse não ser possível “apontar com máxima certeza” que ele recebeu dinheiro para escrever sobre Dino.

A pergunta de Schneider fica no calendário. Quando o alvo era o comediante que atacava Flávio, Dino achou a palavra censura no mesmo dia. Quando o alvo era o blogueiro que escrevia sobre o carro da família dele, a palavra não saiu, e a operação correu na relatoria de Moraes. A cambalhota é o nome que o apresentador deu. A diferença de tratamento está nas datas.