Santiago Peña é preso no Paraguai após impeachment por escândalo do Banco Ueno
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi detido pela Polícia Nacional na noite desta sexta-feira (6), em sua residência em Assunção, por ordem do Ministério Público. A prisão ocorreu horas depois de o Senado aprovar, por unanimidade (44 votos a favor e uma ausência), seu impeachment por mal desempenho das funções no escândalo do Banco Ueno.
Segundo a Justiça, Peña responde por indícios de lesão de confiança, tráfico de influências e administração em proveito próprio. Ele foi acionista de empresa ligada ao Ueno Bank até 2025. Depois de assumir a Presidência em 2023, o banco recebeu cerca de US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos. O Banco Central interveio na instituição nesta semana por insolvência, congelando o acesso de quase três milhões de clientes aos seus recursos.
Peña havia apresentado renúncia ao Congresso, mas o pedido foi rejeitado. O Senado optou pelo impeachment para retirar-lhe a imunidade e o direito a assento vitalício. Com a destituição, ele perdeu a proteção institucional. A Fiscalia ordenou a prisão domiciliar e o encaminhamento para interrogatório na Unidade de Delitos Econômicos.
Na madrugada, por motivos de segurança, Peña foi transferido para uma instalação militar (Regimiento Escolta Presidencial) após protestos em frente à sua casa, com a multidão exigindo que fosse levado à prisão. O jornal ABC registrou a movimentação.
Enquanto isso, o vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como novo presidente do Paraguai ainda na sexta-feira, para completar o mandato até 2028. Alliana prometeu priorizar a situação dos clientes afetados pelo colapso do banco.
O caso mostra a rapidez com que o Congresso e a Justiça paraguaios atuaram diante de um escândalo que envolveu fundos públicos e vínculos do então presidente com a instituição financeira. Peña publicou mensagem de despedida nas redes antes da votação final, afirmando que renunciava para evitar mais danos ao país.

