Romer Saucedo, presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia — a mais alta corte da justiça comum do país —, deixou o território boliviano após a emissão de mandado de prisão por tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. A informação foi confirmada por autoridades do Ministério Público e divulgada pela Band Jornalismo.

O procurador-geral interino, José Armando Urioste, informou que a ordem de prisão foi expedida na terça-feira (3) e que o registro migratório mostra a entrada recente de Saucedo no país, seguida de saída por via terrestre sem registro formal, o que leva à suspeita de que ele se dirija ao Brasil. O órgão já iniciou os procedimentos para emitir alerta à Interpol.

Em publicação na rede social X, Saucedo anunciou que saiu do país com a família e acusou o governo do presidente Rodrigo Paz (centro-direita) de perseguição e intimidação. “Deixei o país, estou com toda a minha família no exílio. Sei que vão forjar provas para me desacreditar”, escreveu. Ele negou as acusações e afirmou que não renunciará ao cargo.

A fuga ocorre em um contexto de investigações contra altos funcionários do Judiciário boliviano por supostos vínculos com o narcotráfico. Em outubro, o ex-procurador-geral Roger Mariaca foi preso dias depois de os Estados Unidos cancelarem seu visto e o de vários funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. O governo de Paz rejeita a alegação de perseguição e relaciona a saída de Saucedo às investigações em curso sobre o sistema judiciário.

Até o momento não há confirmação oficial de entrada de Saucedo em território brasileiro. As autoridades bolivianas realizaram operações em Santa Cruz e prenderam familiares do magistrado no âmbito da apuração.

Fontes: Band Jornalismo, Folha de S.Paulo, Migalhas, Terra, Valor Econômico, La Razón, Infobae.