Mario Sabino, colunista do Metrópoles, comentou na virada desta quarta para quinta duas frases sobre o caso de Nossa Senhora Aparecida. A primeira: “Não há onda de ataques religiosos no Brasil, é cascata do Flávio Dino.” A segunda: “Acusar Mendonça de censura no caso da Aparecida é safadeza, politicagem.”

O despacho que ele chama de cascata saiu na quarta (30). Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigue o que descreveu como uma aparente onda de ataques a imagens religiosas. Escreveu que, depois da decisão de domingo (27), chegaram ao gabinete notícias de várias partes do país. Citou 11 casos noticiados nos últimos meses, em Cuiabá, Salvador, Maceió, Londrina, Rio Grande, Esmeraldas, Jauru, Santo Amaro e Novo Progresso. Listou crimes possíveis, de ultraje a culto a dano e incêndio. Não apresentou um inquérito que ligue esses episódios entre si nem à campanha.

A decisão de domingo de Dino tinha derrubado a ordem de André Mendonça, no TSE, que mandava tirar do ar posts dizendo que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira. Luiz Fux suspendeu Dino. Na noite de quarta, o próprio TSE caminhava para manter fora do ar essa versão factual, porque não há projeto, declaração nem ato de Flávio nesse sentido, e para deixar no ar o post de Antonio Tabet, que não cita o nome do candidato.

É nesse quadro que Sabino fala. Para ele, juntar vandalismos espalhados por meses e chamar o conjunto de onda, logo depois de liberar a mentira sobre a padroeira, é construção política de Dino. E tratar a retirada dessa mentira como censura de Mendonça, diz, é politicagem.