ROMBO DE R$ 8 BILHÕES NO BANCO DIGIMAIS: PF INVESTIGA FARSA LIGADA AO GRUPO DE EDIR MACEDO
Operação da Polícia Federal cumpre mandados e bloqueia R$ 670 milhões em bens. Investigados manipulavam contabilidade para esconder prejuízos gigantescos. Caso lembra escândalo do Banco Master e levanta questionamentos sobre o papel do FGC.
A Polícia Federal deflagrou operação para investigar suposto esquema de fraudes no Banco Digimais, controlado pelo grupo empresarial ligado ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Mais de 50 agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo. A Justiça Federal autorizou bloqueio e sequestro de bens de até R$ 670 milhões, além de quebra de sigilos bancário e fiscal.
Edir Macedo não foi alvo direto de buscas por residir no exterior, mas teve sigilo fiscal quebrado e bens pessoais bloqueados. A PF aponta que a diretoria manipulava registros contábeis para ocultar a real situação financeira e criar falsa aparência de solidez.
SEMELHANÇA COM BANCO MASTER
A investigação revela práticas semelhantes às do extinto Banco Master: inadimplência alta escondida e contabilidade fraudada. Em 2025, o banco registrou lucro declarado de R$ 31 milhões, mas a Receita Federal identificou prejuízo de R$ 8 bilhões. O rombo bilionário afeta cerca de 145 mil clientes ativos.
QUESTIONAMENTOS AO FGC E AO BANCO CENTRAL
Especialistas criticam a demora do Banco Central e o papel do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Há informações de que o FGC estaria negociando empréstimo direto ao banco, empurrando o problema para frente — estratégia semelhante à usada no caso BRB. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF, mas rombos maiores expõem fragilidades do sistema.
Analistas alertam para assimetria de informação: agências de rating como a FIT detectaram problemas de solvência um dia antes da operação, enquanto clientes comuns permaneciam no escuro. A perda de confiança pode gerar corrida bancária em instituições menores (classificadas como S5).
NOTA DO BANCO E REPERCUSSÃO
Em nota, o Banco Digimais informou estar à disposição das autoridades e reafirmar compromisso com transparência. O caso, no entanto, expõe fragilidades do sistema financeiro brasileiro e levanta suspeitas de proteção a grandes grupos econômicos-religiosos.
CRÍTICA CONSERVADORA
Para a direita e bolsonaristas, o escândalo reforça a necessidade de maior controle e punição exemplar. Enquanto pequenos bancos geram rombos bilionários, o sistema tenta abafar para preservar credibilidade. O episódio contrasta com a rigidez aplicada contra opositores políticos.
O Brasil precisa de instituições sólidas e transparência real. Rombo de R$ 8 bilhões não pode ser varrido para debaixo do tapete.

