Renan Santos, candidato do Missão, disse neste domingo (27), em ato na reitoria da UFBA, em Salvador, que não apoia Flávio Bolsonaro se ficar fora do segundo turno. A frase, no Correio Braziliense: “Se fosse pra votar num bandido, eu já tava votando no Lula antes e eu não teria montado o meu próprio partido.” Ele chamou a escolha entre os dois de falsa. “O meu ladrão é de vermelho, não, o meu ladrão é verde e amarelo, não, o meu rouba com filme, não, o meu rouba com olhar social.” E cravou o voto: número 14 no primeiro e no segundo turno. “É eu e eu.” Sobre Flávio, ainda: “Eu ignoro o Flávio Bolsonaro como candidato em qualquer cenário” e “para mim ele não deveria ser candidato pra nada.” A reportagem é de Letícia Passos.

Não é a primeira vez. Na quinta (24), em Piracicaba, ele já tinha dito à CNN que não vota nem no PT nem em Flávio, e acusou o senador de ter recebido R$ 130 milhões para um filme, “que claramente é propina”, além de citar jatinho com Vorcaro. Flávio não foi condenado por isso nessa fala. É a acusação do candidato do Missão. Nas pesquisas daquela semana, Renan tinha 3% na Quaest, 3% no Datafolha e 4,5% na AtlasIntel/Bloomberg. Vinicius Carrion repercutiu o episódio no Instagram com a linha de que não é novidade e de que esse campo é petista.

A seis dias da urna, o candidato que pede 14 nos dois turnos gastou o palanque de Salvador para colocar o nome que lidera a oposição na mesma sentença de Lula. Quem ouve “verde e amarelo” e “filme” entende o recado: o voto útil contra o PT, na tese do Missão, também seria voto em bandido. A frase divide o eleitor que já decidiu tirar Lula. O número que Renan oferece no lugar é o dele.