RELATOR NO CONSELHO DO MPF VOTA PARA LIVRAR GONET DE INVESTIGAÇÃO PELAS MENSAGENS DE VORCARO
O subprocurador Francisco Sanseverino disse não haver elementos mínimos de crime nem conversa direta entre o procurador-geral e o ex-banqueiro. O pedido de investigação foi apresentado por parlamentares do Novo.
O subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, relator no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de uma investigação criminal sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por menções a ele encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo o R7. O procedimento foi aberto a partir de representação de parlamentares do Novo. Para o relator, as representações não trouxeram elementos mínimos de materialidade e autoria de crime nem indícios de prevaricação.
Sanseverino afirmou que Vorcaro não tinha o nome de Gonet salvo entre os contatos e que as referências ao procurador-geral aparecem em conversas do banqueiro com o advogado Ciro Soares. “Não há o registro de comunicação direta entre o investigado Daniel Vorcaro e Paulo Gonet, o que já enfraquece a tese da alegada existência de ‘amizade íntima’”, disse no voto. Sobre a foto de Gonet ao lado de Vorcaro numa degustação de charutos em Londres, em abril de 2024, o relator a classificou como “fato isolado e encontro superficial e social”. O próprio Gonet disse ao conselho que não sabia quem patrocinava o evento e que o banqueiro não era, à época, pessoa conhecida dele.
O relator também se declarou incompetente para analisar a suspeição de Gonet nos processos do caso Master que tramitam no STF e considerou prejudicado o pedido de afastamento cautelar do procurador-geral. Na prática, o voto mantém Gonet no comando das apurações da Operação Compliance Zero. Segundo o g1, as mensagens analisadas citam custeio de viagem, fotos em confraternização e articulações políticas, e o Estadão registrou entre elas uma mensagem com a expressão “saudades”.
O julgamento segue com os votos dos demais integrantes do colegiado, sessão presidida pelo vice-presidente Nicolao Dino, com oito conselheiros votando por causa da ausência de Gonet. Se a maioria decidir pela investigação, um subprocurador independente será designado e, havendo indícios de crime, o caso irá ao Supremo. Para a oposição, que cobra o afastamento do PGR, o placar vai mostrar se o Ministério Público está disposto a investigar o próprio chefe no maior escândalo financeiro do governo Lula.

