O governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno das eleições. O piso do programa passará de R$ 600 para R$ 691, e o benefício médio subirá para cerca de R$ 777. Segundo o Estadão, o impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027.

O decreto publicado nesta quinta-feira (17) afirma que a correção acompanha o INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026, calculado em 15,04%. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, poucos dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A advogada Isabel Mota, especialista em direito eleitoral, disse ao Metrópoles que o calendário é questionável e exigirá explicação detalhada. A legislação eleitoral permite correções em programas sociais já instituídos quando há previsão legal e execução orçamentária, mas o momento do reajuste poderá ser analisado pela Justiça Eleitoral.

O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, classificou o anúncio como sinal de desespero do governo, mas afirmou que aconselhará o candidato a não recorrer ao TSE. Em declaração publicada pelo Metrópoles Política, Marinho disse temer que uma contestação seja mal interpretada pelo eleitor. O reajuste, feito na reta final da disputa, amplia a guerra política sobre o uso de programas sociais e pode influenciar a avaliação do governo nas urnas.