A Europa Filmes adiou por tempo indeterminado o lançamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Em entrevista ao jornal O Globo reproduzida pela Revista Oeste, o diretor-geral da distribuidora, Wilson Feitosa, considerou irresponsável estrear a produção no cenário atual e declarou que o longa só chegará aos cinemas quando não houver risco de bloqueio judicial. A decisão veio depois de a Polícia Federal cumprir 49 mandados de busca autorizados pelo ministro Flávio Dino contra alvos ligados à produção.

A empresa já havia descartado lançar o filme antes ou durante as eleições, mas agora não trabalha com nova data. O motivo apresentado revela um efeito preocupante: mesmo sem uma proibição anunciada, o receio de uma intervenção judicial foi suficiente para retirar do calendário uma obra de forte interesse político. Às vésperas da votação, a combinação entre investigação, medidas de busca e incerteza sobre a exibição produz uma pressão concreta sobre a circulação do filme.

A hipótese de pressão direta de autoridades sobre a Europa Filmes precisa ser esclarecida com transparência, inclusive com a informação sobre eventuais contatos do STF, da PF ou de outros órgãos com a distribuidora. Qualquer tentativa de constranger a retirada de uma obra sem ordem fundamentada afrontaria a liberdade de expressão e o direito do público de escolher o que assistir. O adiamento de Dark Horse, justamente no momento de maior debate eleitoral, exige explicações para que o medo de bloqueio não se transforme em censura preventiva.