O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em uma proposta de delação premiada que pagava R$ 3 milhões por mês em propina a um grupo ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), segundo o portal UOL e o Poder360, que divulgaram o conteúdo nesta sexta-feira (25). De acordo com o ex-banqueiro, R$ 2 milhões eram repassados por meio de um contrato entre o Master e a PKL One, empresa que explorava o Credcesta, cartão consignado dos servidores da Bahia, e que seria controlada por Augusto Lima, com Wagner como sócio oculto. O R$ 1 milhão restante, diz Vorcaro, era entregue em espécie a Guilherme Sodré, o Guiga, apontado no documento como operador do senador, e os pagamentos teriam seguido até a liquidação do banco, em 18 de novembro de 2025.

Vorcaro relata que o acerto foi fechado em 2018, depois que o Master pagou R$ 30 milhões por participação na PKL One. A operação do Credcesta pertencia à Ebal, estatal baiana arrematada em leilão por R$ 15 milhões pela NGV Empreendimentos, outra empresa que o ex-banqueiro atribui a Augusto Lima, e que depois transferiu o cartão para a PKL One. O documento cita cinco vezes o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT-BA), que, como governador, assinou dois decretos 16 dias após o leilão ampliando as possibilidades de exploração do Credcesta, segundo o Poder360. Em junho, Wagner já havia sido alvo de busca e apreensão da Polícia Federal autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, com base em mensagens do celular de Augusto Lima, segundo o Metrópoles.

A proposta de colaboração foi recusada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, que cobraram mais elementos de corroboração, mas o conteúdo dos anexos agora vem a público e amplia a pressão sobre o núcleo petista da Bahia, um dos pilares políticos do presidente Lula. As defesas de Jaques Wagner e de Augusto Lima rejeitaram as acusações ao UOL. A defesa de Lima classificou o relato como “uma obra de ficção já rechaçada pelas autoridades competentes” e afirmou que os serviços do contrato entre a PKL e o Master foram efetivamente prestados. Os advogados de Vorcaro disseram repudiar a divulgação dos anexos e não reconhecer a autenticidade do material.

A revelação chega a nove dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e reacende a cobrança por transparência na operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025. Segundo o Poder360, os celulares apreendidos de Augusto Lima e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que está preso, seguem com conteúdo desconhecido do público, assim como boa parte dos dados do aparelho de Vorcaro. As mensagens já reveladas do banqueiro atingiram também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e aprofundam a desconfiança sobre a rede de influência que o Master construiu em Brasília.