A crise no Supremo Tribunal Federal pode ser mais nociva para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que para o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos candidatos à Presidência em 2026, segundo Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, em entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia veiculada nesta quinta-feira (10). Russo avalia que, apesar da seriedade do tema e do espaço nos noticiários, o eleitor ainda está “perdido” no fogo cruzado entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Presidente Lula em desfile cívico-militar de 7 de setembro de 2026

Para o diretor da Quaest, o quadro confuso — com ministros do STF em atrito e a polícia envolvida — gera frustração e a sensação de “bagunça” no país, o que tende a pesar um pouco mais contra Lula, por uma ligação percebida como mais próxima de Moraes, enquanto o campo bolsonarista mantém rixa aberta com o ministro. Russo estima, contudo, que o movimento contrário ainda não entrega benefício imediato expressivo a Flávio Bolsonaro nem a nomes de terceira via como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante): a direção do efeito, nas palavras dele, tende a ceder um pouco pior para Lula e a melhorar para Flávio, para a terceira via ou para o branco, nulo e indeciso. Senador Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva

Outro ponto destacado por Russo à Itatiaia é a “calcificação” do eleitorado: pesquisas da Quaest apontam cenário cristalizado de segundo turno entre Lula e Flávio, com bolhas consolidadas e polarização ainda mais avançada do que em 2022, o que dificulta furar o próprio eleitorado. O que ainda pode mover o jogo, diz ele, é o eleitor independente de centro — quem votou em Bolsonaro em 2018 e em Lula em 2022 e agora hesita —, grupo menor, mas em disputa. “As bolhas, elas estão muito consolidadas, não deve ter novidades daqui até a eleição”, afirmou. Fontes: Itatiaia e Quaest (Guilherme Russo).