Pesquisa Quaest divulgada recentemente aponta que 62% dos brasileiros veem impacto negativo do caso Banco Master na campanha de Lula. O levantamento captou a percepção pública após o ex-líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner, ser associado ao escândalo. 61% dos entrevistados acreditam que Wagner agiu de forma errada, contra apenas 11% que o defendem. O governo trocou o líder justamente nesse período, sinalizando preocupação com o desgaste.

EVOLUÇÃO MENSAL DA APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA

De acordo com rodadas recentes da Quaest, a aprovação do governo Lula tem oscilado em empate técnico: em junho, 47% aprovavam e 48% desaprovavam. Em maio, eram 46% de aprovação e 49% de desaprovação. Em abril, a desaprovação chegava a 52% contra 43% de aprovação. Outras pesquisas, como Datafolha de junho, mostram avaliação negativa (ruim/péssimo) em 38% e positiva (ótimo/bom) em 32%, com 29% regular — números estáveis em relação a maio. A reprovação do trabalho de Lula fica em torno de 48-49%, contra 48% de aprovação.

OS NÚMEROS QUE MOSTRAM O DESGASTE DO CASO

Segundo a Quaest, 37% avaliam que o envolvimento de Wagner impactará muito negativamente a campanha de Lula, 25% veem impacto negativo (mas pequeno) e 22% acreditam que não afetará. A maior parte dos brasileiros ficou sabendo do caso, o que ampliou sua repercussão. O instituto perguntou se o problema é pessoal do senador ou institucional (ligado ao governo Lula): a visão se divide fortemente por campo político, com independentes praticamente empatados.

DIVISÃO POLARIZADA ENTRE BASES

Lulistas e esquerda não-lulista majoritariamente classificam o caso como “questão pessoal” de Jaques Wagner, buscando blindar o presidente. Já a direita e bolsonaristas veem como institucional, tentando colar o escândalo diretamente à imagem de Lula. Entre independentes, 38% consideram institucional e 31% pessoal, o que explica o impacto limitado até o momento na aprovação geral do governo.

POR QUE O GOVERNO NÃO SOFREU MAIS?

A Quaest destaca que, apesar dos números negativos sobre Wagner, o esforço de narrativa para separar o senador do Planalto surtiu efeito parcial junto à base governista. No entanto, o alto percentual que vê erro na conduta do ex-líder (61%) e o impacto negativo na campanha de Lula (62%) revelam vulnerabilidade. A troca de liderança no Senado foi uma reação clara para tentar conter o sangramento.

REAÇÃO DA OPOSIÇÃO E O QUE O POVO PERCEBE

A oposição tem explorado o caso para mostrar padrões de conduta no entorno do governo. A pesquisa confirma que, embora o núcleo duro petista consiga defender o presidente, a opinião pública mais ampla — especialmente os independentes — registra o desgaste. Escândalos envolvendo figuras próximas ao poder tendem a corroer a credibilidade, mesmo quando o governo tenta isolar o problema como “pessoal”.

IMPACTOS PARA A CAMPANHA E O FUTURO

Com 62% vendo efeito negativo na campanha de Lula, o episódio do Banco Master reforça o desafio do governo em lidar com denúncias de irregularidades financeiras e políticas. A polarização ajuda a conter perdas maiores junto à base, mas deixa cicatrizes junto ao eleitorado médio que cobra lisura. A Procuradoria e as investigações da PF seguem seu curso, e novos desdobramentos podem amplificar o tema.