Pedro Alliana assume o Paraguai: perfil do colorado que sucede Peña após impeachment
Pedro Alliana, de 52 anos, prestou juramento e assumiu formalmente a Presidência do Paraguai na noite de sexta-feira (6), horas depois de o Senado aprovar por 44 votos a favor o impeachment de Santiago Peña. O processo foi motivado pelo colapso do Banco Ueno, que congelou depósitos de cerca de três milhões de pessoas e gerou acusações de conflito de interesses e favorecimento envolvendo o ex-presidente.
Alliana era o vice-presidente eleito na chapa de Peña em 2023 pelo Partido Colorado (Associação Nacional Republicana), a mesma agremiação que governa o Paraguai de forma quase ininterrupta desde a ditadura de Stroessner e que se posiciona historicamente à direita do espectro político latino-americano. Ele já havia sido governador de Ñeembucú (2008-2012), deputado federal por uma década (2013-2023), presidente da Câmara dos Deputados e presidente do próprio Partido Colorado. Em abril de 2026 anunciou pré-candidatura para 2028 com apoio de Horacio Cartes e do próprio Peña.
No discurso de posse, Alliana ordenou “ações imediatas” para ressarcir integralmente os poupadores do Ueno, priorizando os mais vulneráveis, e afirmou que o Paraguai “não os deixará sozinhos”. A Constituição paraguaia determina que o vice complete o mandato até 15 de agosto de 2028. O Congresso designou o senador Antonio Barrios como novo vice-presidente.
A chegada de Alliana não representa virada à esquerda. O Partido Colorado continua no comando e Alliana é um operador institucional da máquina colorada, não um outsider progressista. Lula enviou mensagem de congratulações e desejo de cooperação bilateral, enquanto Gustavo Petro criticou Peña. Até o momento, não há indicações de que Alliana adotará postura ferozmente anti-esquerda no continente; sua prioridade declarada é a estabilidade interna, a restituição dos depósitos e a continuidade do governo colorado.
Fontes: La Nación Paraguay, América TV, Trece, CNN Política, BBC, Infobae, G1, CNN Brasil.

