A decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas transnacionais não será replicada por Portugal e nem pelo bloco da União Europeia. A posição oficial foi externada pelo ministro da Administração Interna (MAI) português, Luís Neves, durante o XIV Fórum de Lisboa. A negativa em alinhar-se à postura de Washington acendeu um imediato debate internacional e gerou uma onda de reações fortemente negativas e irônicas por parte do público nas redes sociais.

A JUSTIFICATIVA TÉCNICA E CONCEITUAL DO GOVERNO PORTUGUÊS

Para o ministro Luís Neves, existe uma barreira conceitual rígida e técnica que separa a atuação das organizações criminosas brasileiras dos grupos terroristas globais. O chefe da pasta da Administração Interna argumentou que o crime organizado opera motivado estritamente pelo lucro financeiro e pela acumulação de capital, enquanto o terrorismo clássico é sustentado e movido por motivações de cunho ideológico e político. “Portugal não irá fazer, nem a Europa irá fazer por ora, seja o que for”, resumiu de forma direta em entrevista ao PÚBLICO Brasil, sepultando qualquer possibilidade de cooperação imediata nesses moldes com o decreto americano.

REAÇÃO NEGATIVA NAS REDES: ACUSAÇÕES DE COMPLACÊNCIA E BRANQUEAMENTO

O posicionamento do ministro português disparou uma enxurrada de comentários críticos e manifestações de indignação entre os internautas nas plataformas digitais, que rejeitaram os argumentos teóricos da autoridade. Diversos usuários manifestaram séria preocupação com a segurança pública do país europeu, afirmando que a recusa em combater os grupos de forma mais severa pode fazer com que, "logo logo", Portugal acabe integralmente "tomado" pelas facções. A leniência percebida foi duramente cobrada pelos cidadãos, com perfis recorrendo a frases célebres de líderes internacionais, como a do presidente salvadorenho Nayib Bukele: “Se um estado não combate o crime organizado, é porque faz parte dele”.

Além do temor com a violência urbana, os internautas apontaram o dedo para a vulnerabilidade do sistema financeiro de Lisboa. Críticos afirmaram abertamente nos canais de notícias que Portugal se transformou em um "destino de branqueamento de capital" para os recursos ilícitos movimentados por essas facções, sugerindo que o PCC e o CV já estariam injetando dinheiro e movimentando de forma subterrânea a própria economia lusitana. Sobrou espaço também para o sarcasmo político, com usuários sugerindo ironicamente que o governo de Portugal deveria aproveitar a decisão para "conceder cidadania" aos membros dos grupos por considerá-los "humanistas", associando a postura do Ministério à influência de políticas de esquerda na Europa.