A nova ofensiva comercial lançada pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, jogou luz sobre a real dimensão da estratégia protecionista de Washington e desfez de imediato as narrativas políticas que tentavam encontrar culpados domésticos para as sanções. Uma publicação recente do canal de notícias internacional UHN Plus revelou que a vizinha Colômbia é mais uma nação que corre o risco de enfrentar uma pesada tarifa alfandegária de 12,5% imposta pelos norte-americanos. A justificativa técnica usada pela Casa Branca é a inclusão do país em uma lista global de nações que, segundo Washington, não aplicam restrições efetivas contra o trabalho forçado em suas cadeias produtivas.

A VERDADEIRA ENGANHAÇÃO DAS NARRATIVAS POLÍTICAS

O anúncio de que a Colômbia — e outras dezenas de nações — estão na exata mesma mira de tarifas desmorona o discurso adotado pelo Palácio do Planalto e por setores da esquerda brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ir a público para afirmar de forma inflamada que a sobretaxação era fruto de opositores que "tentavam trair o país" por interesses mesquinhos de disputa eleitoral. No entanto, os dados técnicos mostram que Donald Trump não desenhou uma política macroeconômica que afeta 60 países — incluindo potências como o Japão, o Reino Unido e todo o bloco da União Europeia — por causa de querelas políticas internas ou disputas paroquiais em Brasília.

O JOGO PROTECIONISTA DA LEI DE COMÉRCIO DE 1974

A investigação que embasa as sanções foi concluída pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com respaldo na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Na prática, a Casa Branca dividiu as economias afetadas em dois grandes blocos: o primeiro grupo, que inclui Brasil e Colômbia, enfrenta a proposta de uma alíquota de 12,5% sob a alegação de inação legislativa ou falta de mecanismos severos contra o trabalho laboral degradante. Analistas internacionais de mercado afirmam que a medida trata-se, na verdade, de uma manobra jurídica refinada para restabelecer o cercado tarifário que a administração Trump tentou impor anteriormente via decretos de emergência, os quais haviam sido derrubados pela Suprema Corte americana. O objetivo real é puramente forçar a reindustrialização doméstica nos EUA e proteger o mercado interno americano.

DISTRITO FEDERAL: A CONFUSÃO COM O CASO FLÁVIO BOLSONARO

No cenário nacional, a tentativa de vincular a crise alfandegária a figuras da oposição conservadora, como o senador Flávio Bolsonaro, foi apontada por especialistas como um erro crasso de conexão dos fatos ou pura desinformação. O nome do parlamentar passou a figurar nos jornais devido a um inquérito estritamente doméstico e paralelo: a apuração da Polícia Federal sobre um áudio em que ele solicitava patrocínio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, focado na trajetória de Jair Bolsonaro. Embora a PF investigue se houve qualquer tipo de favorecimento político em troca dos recursos direcionados ao fundo do filme — o que é rechaçado pela defesa do senador, que nega irregularidades —, o episódio não guarda nenhuma relação de causa e efeito com o tarifaço global da Casa Branca.