PLANALTO EM ALERTA COM NOVA ONDA DE INVESTIGAÇÕES DA PF CONTRA REPÚBLICA DA BAHIA
A poucos meses das eleições, PF avança sobre Jaques Wagner e Rui Costa, expoentes do PT baiano. Operação Compliance Zero e caso dos respiradores colocam em xeque o núcleo petista, enquanto governo tenta blindar Lula e contra-ataca com conexões de Flávio Bolsonaro ao Banco Master.
A Polícia Federal intensifica as investigações sobre o chamado “núcleo baiano” do PT, com foco em figuras como o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Interlocutores do Planalto já admitem preocupação com os desdobramentos a menos de três meses das eleições de outubro.
PF MIRA JAQUES WAGNER NA 9ª FASE DA COMPLIANCE ZERO
Na última quinta-feira (18), a PF deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, cumprindo buscas contra Jaques Wagner. Os investigadores apuram se o senador recebeu vantagens indevidas, como um apartamento de luxo em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões, ligados ao esquema do Banco Master de Daniel Vorcaro. A PF também encontrou dólares e euros em endereços ligados a Wagner. O senador nega as acusações e afirma que o dinheiro apreendido refere-se a diárias legais.
RUI COSTA NO CENTRO DE DUAS GRANDES APURAÇÕES
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O ex-governador Rui Costa aparece em duas frentes problemáticas. A primeira envolve o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores baianos. Após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos, o produto foi arrematado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Decisões administrativas no governo baiano teriam favorecido o Banco Master no mercado de consignados com desconto em folha. Rui Costa nega ter recebido propina e diz ter se encontrado com Vorcaro apenas uma vez, em audiência com Lula.
A segunda frente remete ao escândalo dos respiradores na pandemia de Covid-19. Em 2020, o Consórcio Nordeste, presidido por Costa, pagou R$ 48 milhões antecipadamente por equipamentos que nunca chegaram. Parte do dinheiro desviado teria transitado por fundos ligados ao grupo Reag, conectado ao esquema Master. O caso segue em apuração pela PF.
CONTRASTE COM A OFENSIVA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO
Enquanto o PT baiano enfrenta o avanço das investigações, o governo tenta usar as conexões de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro como arma eleitoral. A PF investiga se o senador negociou cerca de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões) com o banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio admitiu contatos, mas nega irregularidades.
PT TENTA BLINDAR LULA EM ANO ELEITORAL
A cúpula petista atua para conter o desgaste. A Bahia, tradicional reduto do partido, vê seus principais quadros sob escrutínio da PF em um momento delicado para a campanha de reeleição de Lula. A estratégia de ataque ao bolsonarismo via Flávio e Vorcaro busca desviar o foco das apurações que atingem diretamente o núcleo histórico do PT baiano.

