A cúpula do PL aproveita a nova escalada da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do STF, para ampliar a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e antecipar a disputa pelo comando da Casa em 2027. Segundo o jornal O Globo, o partido vai cobrar de seus candidatos ao Senado o compromisso de não votar em Alcolumbre para presidente da Casa no próximo ano e transformar a resistência dele a pautar o impeachment de Moraes em argumento eleitoral.

Senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado FederalNos cálculos do PL, a crise permite conectar a ofensiva contra Moraes à promessa de eleger uma bancada capaz de mudar a relação do Senado com o Supremo a partir de 2027. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fecharam questão em defesa de Mendonça após o ministro determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e voltaram a mirar Alcolumbre por impedir que os pedidos contra Moraes avancem. O líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), tem interesse na disputa, e o nome de Tereza Cristina (PP-MS) também é considerado nesse campo, conforme O Globo.

A ofensiva ocorre depois que Alcolumbre, diante da perspectiva de não recuperar os votos do PL para a recondução, estreitou de novo a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente do Senado sinalizou a líderes que não pretende pautar medidas contra ministros do STF antes do primeiro turno e que, se as cobranças pelo afastamento de Moraes avançarem, poderia colocar também em discussão um pedido contra Mendonça. O PL aposta em ampliar a bancada senatorial nas urnas para aumentar as chances de derrotar Alcolumbre em fevereiro de 2027, reportou O Globo.