O Partido Liberal (PL) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de quebra de sigilo de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para apurar um eventual vazamento de informações privilegiadas da Polícia Federal para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento, que tramita sob sigilo, foi enviado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) ao ministro André Mendonça nesta quinta-feira (6 de agosto). A informação foi adiantada pela CNN e confirmada pelo Metrópoles.

O objetivo é esclarecer se integrantes do governo federal tiveram conhecimento prévio de que a Polícia Federal havia chegado ao nome de Marcola durante as investigações. O parlamentar também pediu autorização para busca e apreensão contra o ex-assessor da Presidência, a fim de resguardar eventuais provas.

MARCOLA DEIXOU A CAMPANHA APÓS REVELAÇÃO DOS REPASSES

Marcola deixou a coordenação da campanha de Lula após a revelação de que havia recebido dinheiro da empresária Roberta Luchsinger. Ela é apontada como ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e também é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e investigado por tráfico de influência.

Em nota, Marcola admitiu ter recebido repasses financeiros da empresária. Afirmou que o valor se refere a um empréstimo pessoal já contraído e quitado, negando qualquer ilegalidade. Em comunicado de terça-feira (4 de agosto), o ex-assessor disse que pagou R$ 249 mil a Roberta, sem informar se esse era o valor total recebido.

PEDIDO INCLUI AFASTAMENTO DE SIGILOS E BUSCA E APREENSÃO

Segundo a petição, o PL solicita a apuração de possível vazamento de informações sigilosas extraídas da investigação sob relatoria de André Mendonça, além da cadeia de custódia do material e da eventual utilização indevida de dados protegidos para proteção política. O documento também pede o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de Marcola desde 2023 e a expedição de mandado de busca e apreensão de aparelhos, computadores e documentos.

Marcola foi chefe de gabinete de Lula após a posse para o terceiro mandato e deixou o posto nas últimas semanas para integrar a campanha de reeleição. Na quarta-feira (5), pediu para sair da coordenação da campanha a fim de se dedicar à defesa no caso do empréstimo.

A iniciativa do PL ocorre em meio à escalada de tensão envolvendo as investigações do INSS, o entorno do presidente e a relatoria de André Mendonça no STF.