A Câmara que toma posse em fevereiro de 2027 terá 109 deputadas, 18 a mais do que as 91 eleitas em 2022, o equivalente a 21,2% das 513 cadeiras, o maior percentual já registrado, segundo o Valor. No Senado, 12 mulheres foram eleitas nesta eleição, também um recorde para um único pleito, e a bancada feminina deve chegar a 18 nomes em 2027. Dentro desse avanço, o PL foi o partido de direita e de centro-direita que mais elegeu mulheres: 22 deputadas, numa bancada de cerca de 120, e três senadoras, mais do que qualquer outro partido. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, as duas do PL, ficaram com as duas vagas do Distrito Federal.

A cientista política Malu Gatto, da University College London, disse à BBC News Brasil e ao Valor que o resultado era esperado depois do trabalho de base de Michelle Bolsonaro, que percorreu estados com a senadora Damares Alves para filiar mulheres. O PT elegeu 25 mulheres entre cerca de 70 deputados, quase 40% da bancada, proporção maior que a do PL. Em números absolutos, porém, foi o partido de Flávio que puxou as candidaturas femininas na direita. PCdoB elegeu sete deputadas, União Brasil oito, Podemos sete e PP seis.

Das 18 mulheres que terão cadeira no Senado na próxima legislatura, dez são de partidos de direita ou de centro-direita, seis de esquerda e duas de siglas de centro. A BBC observa que a bancada fica mais heterogênea e que o consenso sobre políticas para mulheres pode ficar mais difícil. O que a urna mostrou é outra conta: a maior presença feminina da história da Câmara teve o PL, com Michelle na articulação, como o principal responsável pelas cadeiras da direita.