A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou na quarta-feira, 7, a criação de um Comando Unificado para enfrentar o crime organizado, com a Polícia Nacional e as Forças Armadas debaixo de um centro de operações. A apresentação foi no Quartel-General do Exército, em Lima, e incluiu as Forças Combinadas de Combate ao Crime Organizado, com 1.350 militares e policiais de elite, além de um Grupo Especial de Elite para operações especiais e buscas em todo o país. Ela disse que hoje anuncia o comando para enfrentar e derrotar a criminalidade e chamou governos estrangeiros a compartilhar experiência, tecnologia, informação e recursos, porque a defesa da vida dos cidadãos não tem bandeira.

Nesta sexta-feira, 9, Fujimori foi à Unidade de Serviços Especiais da polícia em Trujillo, com os ministros da Defesa, do Interior e da Justiça, e repetiu que não vai parar até recuperar a paz e a ordem. Disse que forças de elite vão para as zonas mais perigosas, que o programa de recompensas volta para a captura dos chefes e que se trata de uma declaração de guerra que o governo pretende ganhar. Antes, inspecionou o presídio El Milagro. O plano também prevê retomar o controle das cadeias, isolar presos que continuam mandando no crime de dentro e expulsar em tempo recorde estrangeiros que entraram no país para cometer crimes. Ela não informou quem comandará a estrutura nem se autoridades civis terão assento.

O anúncio é contra a criminalidade e o crime organizado, do qual o narcotráfico é parte, e não uma unidade criada só para drogas. A comparação que o caso abre para o Brasil é direta. PCC e Comando Vermelho já funcionam como as organizações que o Peru decidiu enfrentar com Exército e polícia no mesmo comando, e a pergunta que fica é se Brasília vai continuar tratando essas facções como caso só de polícia enquanto o vizinho monta uma força conjunta de 1.350 agentes.