PL avalia apoiar reeleição de Hugo Motta na Câmara e indica Rogério Marinho ao Senado
O PL deve apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, mas pretende disputar o comando do Senado com a indicação do senador Rogério Marinho (PL-RN). A estratégia busca ampliar a participação do partido na divisão de cargos do Congresso e evitar que a legenda fique isolada nas negociações sobre o controle das comissões, mesmo tendo a maior bancada da próxima legislatura.
Segundo informações, o PL convocou uma reunião com integrantes da bancada para a próxima terça-feira (3), às 18h. O encontro deverá definir a posição do partido sobre a eleição para a presidência da Câmara e a distribuição de postos no Legislativo. Antes de considerar um acordo com Motta, a sigla chegou a avaliar o lançamento de uma candidatura própria à presidência da Câmara. Entre os nomes discutidos estavam o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o atual vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ).
A hipótese perdeu força diante da avaliação de que Motta já reúne apoio suficiente para conquistar um novo mandato. Até o momento, 15 partidos declararam apoio à sua reeleição, entre eles o PT, em movimento articulado para isolar o PL após a reeleição de Lula. O partido terá 121 deputados a partir de 2027, a maior bancada individual, e cerca de 28 senadores.
Uma ala ligada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defende a aproximação com Motta para não perder prioridade na escolha de comissões importantes, como a CCJ. Sem acordo, a maior bancada não garante sozinha o comando de colegiados estratégicos. No Senado, a resistência é maior: Flávio Bolsonaro já sinalizou a indicação de Rogério Marinho contra Davi Alcolumbre, e a votação secreta dá margem para surpresas mesmo com apoios declarados de PP e Republicanos a Alcolumbre.
A movimentação mostra o PL tentando preservar influência no Congresso após a derrota presidencial, enquanto o bloco de apoio a Motta — que inclui o centrão e o PT — busca limitar o espaço da oposição na definição de cargos e na pauta da Casa. A reunião de terça-feira será decisiva para saber se a maior bancada do Brasil aceita o acordo ou insiste em disputa própria.

