A Procuradoria-Geral da República encaminha nesta semana ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, um parecer pelo encerramento do inquérito das fake news, o Inquérito 4781. A informação foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, e confirmada por outras fontes. O documento já estaria pronto e defende o fim da apuração sob o argumento de que ela já cumpriu seu objetivo, de que não há novos fatos a investigar dentro do seu escopo e de que as diligências ainda necessárias correm em procedimentos específicos.

Aberto em 2019, o inquérito ficou sob a relatoria de Alexandre de Moraes até setembro de 2026, quando Fachin assumiu o caso em meio à crise institucional provocada pelas revelações de mensagens e contratos do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desde então, Fachin já arquivou diversas investigações derivadas, muitas a pedido da própria PGR, por falta de provas ou prescrição dos delitos. O chamado inquérito-mãe e cerca de 103 procedimentos a ele vinculados acumularam sete anos de tramitação sob sigilo.

O parecer da PGR é mais uma etapa para que Fachin encerre definitivamente a apuração, o que ele já anunciou que faria como resposta à crise no tribunal. Os procedimentos derivados serão avaliados um a um. Em decisões anteriores, o presidente do STF manteve a validade dos atos praticados por Moraes até setembro, inclusive as atribuições de sigilo e as ações penais em que a denúncia já tinha sido recebida.

O inquérito tornou-se símbolo dos excessos atribuídos a Moraes no controle de narrativas e no uso de medidas cautelares contra críticos do tribunal. Vinicius Carrion, ao comentar a reportagem, questionou quando o Brasil terá a oportunidade de conhecer o que Moraes classificou como crimes e quando o sigilo dessa apuração será levantado. Fachin já sinalizou que, após o exame dos procedimentos pendentes, promoverá o arquivamento definitivo e a ampla publicidade dos atos.