PGE REJEITA AÇÃO DO PL CONTRA PESQUISA ATLASINTEL SOBRE FLÁVIO BOLSONARO E CASO MASTER
Procuradoria-Geral Eleitoral manifesta-se pela rejeição da ação do Partido Liberal contra levantamento da AtlasIntel que avaliou impacto do escândalo Banco Master na imagem e intenção de voto de Flávio Bolsonaro. Decisão contraria liminar de Kassio Nunes e reforça intervenção mínima da Justiça em pesquisas.
A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) posicionou-se nesta segunda-feira (22) pela rejeição da ação do Partido Liberal (PL) contra a pesquisa da AtlasIntel sobre os efeitos do caso Banco Master na imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026. O parecer, assinado pelo vice-procurador-geral Eleitoral Alexandre Espinosa, foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e representa revés para a legenda.
A manifestação diverge da liminar parcial concedida pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes, que havia suspendido novas divulgações do levantamento.
PGE NÃO VÊ MANIPULAÇÃO
O PL argumentava que o questionário da AtlasIntel foi estruturado para induzir respostas negativas, ao inserir perguntas sobre o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro e áudio envolvendo Flávio Bolsonaro. Segundo o partido, a sequência poderia contaminar as respostas sobre intenção de voto e rejeição.
A PGE rejeitou a tese. “Não foram identificados elementos capazes de demonstrar irregularidade na pesquisa ou manipulação dos entrevistados”, afirma o parecer. A Procuradoria defendeu postura de intervenção mínima da Justiça Eleitoral em metodologias de pesquisas, afirmando que o dever de neutralidade não justifica restrições indevidas a institutos.
ARGUMENTO TÉCNICO DECISIVO
Um ponto central do parecer é a ordem das perguntas: as questões sobre intenção de voto, avaliação de candidatos e rejeição foram feitas antes das relacionadas ao caso Master. Portanto, as respostas eleitorais principais já haviam sido registradas, minimizando suposta influência.
IMPACTOS PARA FLÁVIO BOLSONARO E A DIREITA
A pesquisa da AtlasIntel ganhou relevância por medir justamente o dano potencial do escândalo Master — que já atingiu Jaques Wagner e outros — na viabilidade eleitoral de Flávio. A rejeição da PGE pode permitir a divulgação dos números, o que o PL buscava evitar.
Para a direita conservadora, o episódio reforça desconfiança em pesquisas e na atuação do TSE/STF em ano pré-eleitoral. Enquanto a Procuradoria adota linha de menor interferência, a liminar de Kassio Nunes indicava maior rigor, gerando debate sobre isenção.
CONTEXTO MAIS AMPLO
O caso ilustra a judicialização crescente de pesquisas eleitorais. Com Flávio Bolsonaro posicionado como forte nome da oposição em 2026, qualquer levantamento envolvendo escândalos financeiros ganha peso político. A PGE, ao defender neutralidade, evita que o Judiciário se torne árbitro constante de disputas de narrativa.

