A Polícia Federal aprofundou a apuração sobre o Banco Master e identificou o chamado “Projeto DV”, estrutura organizada, segundo a corporação, para blindar a gestão de Daniel Vorcaro. A força-tarefa articula o acionamento da Interpol por meio de difusão prateada para rastrear e bloquear ativos remetidos ao exterior (paraísos fiscais, Estados Unidos e Europa). O endurecimento ocorre após o colapso das negociações de delação premiada, inviabilizada pela falta de transparência do empresário sobre o destino final de seus bens.

PROJETO DV: PAGAMENTOS A INFLUENCIADORES E CAMPANHA CONTRA O BANCO CENTRAL

De acordo com documentos da 10ª fase da Operação Compliance Zero (autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF), o grupo utilizava pagamentos vultosos — de até R$ 2 milhões — a influenciadores digitais para atacar o Banco Central e instituições concorrentes, além de disseminar desinformação. O publicitário Thiago Miranda é apontado pela PF como principal articulador do projeto. Recursos teriam origem em fraudes investigadas no Master.

MONITORAMENTO ILEGAL E INTIMIDAÇÃO DE JORNALISTAS E AUTORIDADES

A investigação aponta que o esquema incluía monitoramento ilegal de jornalistas, autoridades e concorrentes, além de práticas de intimidação e coação contra quem recusava as ofertas. Celulares apreendidos teriam se transformado em “mapa do crime” da engrenagem. A PF descreve o funcionamento do Master como “máfia fantasiada de banco”, com organização hierarquizada.

INTERPOL E RASTREAMENTO DE ATIVOS NO EXTERIOR

Diante da complexidade das movimentações financeiras, a PF articula a difusão prateada da Interpol — ferramenta focada em patrimônio, não em captura — para localizar e bloquear bens de Vorcaro no exterior. O objetivo é impedir a ocultação de patrimônio e garantir ressarcimento a cofres públicos e lesados. Parte dos valores sob suspeita inclui repasses a fundos nos EUA.

DELAÇÃO REJEITADA E RESISTÊNCIA EM COLABORAR

As negociações de delação premiada desabaram pela falta de transparência de Vorcaro quanto ao destino dos ativos. A resistência do empresário em colaborar, somada a contratos e provas documentais que, segundo a PF, ligam o grupo a práticas de intimidação, elevou o patamar da investigação para cooperação internacional. Vorcaro está preso desde março de 2026.

FOCO AGORA É DESMANTELAR A REDE E RECUPERAR RECURSOS

Com a integração entre jurisdições, a força-tarefa concentra esforços em desmantelar a rede de influência e assegurar o ressarcimento. O caso Master é um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, com liquidação do banco pelo Banco Central e prejuízos bilionários. A direita e o mercado acompanham de perto os desdobramentos, especialmente eventuais ligações políticas e o uso de recursos em campanhas de imagem.