PF INDICIA SEIS PESSOAS EM NOVO INQUÉRITO SOBRE FRAUDES BILIONÁRIAS NO INSS
Relatório final da Polícia Federal aponta esquema na CONTAG, maior entidade investigada por descontos ilegais em aposentadorias. Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e três dirigentes da confederação.
A Polícia Federal indiciou seis pessoas em mais um inquérito sobre as fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. O relatório final, encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF, concentra-se nas irregularidades envolvendo a CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares), a maior entidade investigada pelos descontos ilegais. Entre os indiciados está o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
TRÊS NOMES DO INSS E TRÊS DA CONTAG FORAM INDICADOS
O relatório indiciou seis pessoas por participação no esquema. Do lado do INSS, foram apontados o ex-presidente Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de benefícios André Paulo Félix Fidelis. Da CONTAG, constam o ex-presidente Aristides Veras dos Santos e as ex-dirigentes Edjane Rodrigues e Thaísa Daiane (grafias variam levemente em reportagens). Segundo a PF, eles podem responder pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações e organização criminosa.
ESQUEMA PERMITIA DESCONTOS COM BASE EM DADOS FALSOS
A investigação aponta que o esquema permitiu a liberação de descontos em aposentadorias com base em dados falsos. A PF identificou dois núcleos criminosos que atuavam de forma coordenada: um na CONTAG, responsável por realizar os descontos e incluir novos nomes de aposentados no esquema; e outro dentro do INSS, que manipulava informações dos sistemas internos, desbloqueava pagamentos e derrubava pareceres contrários da área técnica do próprio instituto.
CONTAG RESPONDE POR QUASE METADE DOS DESVIOS
De acordo com a Polícia Federal, dos mais de R$ 4 bilhões desviados de aposentados entre 2019 e 2024 (estimativas totais do esquema chegam a cerca de R$ 6,3 bilhões em outras frentes), quase a metade — cerca de R$ 2 bilhões — veio da CONTAG. A confederação tem mais de 1 milhão de associados e mantém o acordo mais antigo com o INSS, iniciado na década de 1990. A PF identificou que a entidade repassou, por meio de transferências fracionadas, mais de R$ 26 milhões a 15 pessoas e empresas, entre elas locadoras de carros e agências de viagens. Os investigadores suspeitam que esses recursos tenham origem nos valores desviados das aposentadorias.
DEFESA DE STEFANUTTO NEGA ILÍCITOS
A defesa de Alessandro Stefanutto declarou que ele jamais praticou qualquer ato ilícito no exercício de suas funções públicas. A defesa de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho informou que só se manifestará quando tiver acesso às peças da investigação. Os demais citados não se pronunciaram publicamente até o momento da divulgação do relatório.
NOVO CAPÍTULO DE INVESTIGAÇÃO QUE JÁ INDICIOU DEZENAS
Este é o segundo inquérito concluído pela PF sobre o tema. No primeiro, focado em outra entidade (Conafer), a corporação já havia indiciado Stefanutto e outras 47 pessoas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O caso segue sob relatoria do ministro André Mendonça no STF e será analisado pela Procuradoria-Geral da República, que decidirá sobre eventual denúncia.

