A Polícia Federal apresentou nesta segunda-feira, 14 de julho de 2026, ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça o primeiro relatório conclusivo de parte da Operação Sem Desconto. O documento indicia 48 pessoas por suspeita de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. O prejuízo estimado supera R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024. Entre os indiciados estão ex-dirigentes do órgão de governos diferentes, lobistas e parlamentares, mas o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não aparece na lista inicial.

O RELATÓRIO APRESENTADO PELA POLÍCIA FEDERAL

O documento entregue a Mendonça concentra-se no núcleo central da fraude: descontos mensais indevidos realizados por entidades associativas sem autorização dos beneficiários. Entre os 48 indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto (nomeado no governo Lula), o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” (foragido), o ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira (governo Bolsonaro), o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e outros ex-dirigentes e operadores do esquema. A PF já havia realizado buscas, prisões preventivas e apreensões em fases anteriores da operação.

A TROCA DE DELEGADO EM MAIO E A CONTROVÉRSIA INSTALADA

Em meados de maio de 2026, a Polícia Federal promoveu mudança na coordenação da investigação. O caso saiu da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, chefiada pelo delegado Guilherme Figueiredo Silva, e foi transferido para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores. Silva era o responsável por medidas como o pedido de quebra de sigilo envolvendo Lulinha e pela prisão do “Careca do INSS”. A oposição questionou publicamente a alteração em “momento sensível”. O ministro André Mendonça solicitou explicações à PF. A corporação justificou a medida como administrativa, para “potencializar recursos” e dar maior estrutura a casos complexos com tramitação no STF. A maior parte da equipe anterior foi mantida.

LULINHA E AS “CIRCUNSTÂNCIAS LATERAIS” QUE FICARAM DE FORA DESTA FASE

Fontes da PF esclareceram que o primeiro relatório priorizou as conclusões sobre os descontos indevidos e as associações envolvidas. As menções a Lulinha — que incluem mensagens citando “o filho do rapaz”, relatos de viagens a Portugal com o “Careca do INSS”, possíveis repasses intermediados por terceiros e sua relação com a empresária Roberta Luchsinger — são tratadas como “circunstâncias laterais” e permanecem sob apuração em etapa própria ou paralela. A corporação informou que essas frentes continuam em andamento dentro do “tratamento legal”. Até o momento, Lulinha não foi indiciado neste relatório inicial.

A NARRATIVA QUE CIRCULA NAS REDES E O QUESTIONAMENTO POLÍTICO

Postagens nas redes sociais, como a que circula com a marca de parlamentares de oposição, questionam se a troca de delegado em maio “deu certo” e se teria contribuído para a ausência do nome de Lulinha no relatório de 48 indiciados. O material destaca a “coincidência” entre a substituição do coordenador que avançava em medidas contra o filho do presidente e o resultado apresentado agora. A oposição cobra transparência e que o ministro André Mendonça garanta o prosseguimento integral das investigações sem interferências.

O QUE DIZ A DEFESA E O CENÁRIO ATUAL DAS APURAÇÕES

A defesa de Lulinha reitera que ele não manteve relação comercial com o esquema de fraudes do INSS e que eventuais contatos com investigados foram de natureza pessoal ou ligados a projetos legítimos, como iniciativas na área de cannabis medicinal. Os advogados negam qualquer participação em atos ilícitos. Enquanto isso, a PF segue analisando material apreendido e a investigação sobre as ramificações que envolvem o filho do presidente continua ativa, embora em ritmo e foco distintos do núcleo principal dos descontos indevidos.

PRÓXIMOS PASSOS SOB A RELATORIA DE ANDRÉ MENDONÇA

Cabe agora ao ministro André Mendonça analisar o relatório entregue pela PF. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República avaliará se oferece denúncia contra os indiciados. A expectativa de setores da oposição é que o relator assegure o avanço de todas as frentes investigativas, inclusive aquelas que tocam figuras próximas ao Planalto, preservando a independência da apuração e a credibilidade das instituições. Qualquer sinal de morosidade seletiva ou blindagem política tende a ampliar o desgaste do governo junto à opinião pública que cobra punição efetiva aos responsáveis pelo rombo bilionário contra aposentados e pensionistas.