FLÁVIO BOLSONARO ACUSA MORAES APÓS SUSPENSÃO DE VISITAS AO PAI
Senador e pré-candidato afirma que decisão do ministro do STF ignora cartas anteriores de Jair Bolsonaro publicadas sem contestação e compara tratamento ao caso Lula; recorre à OAB alegando prerrogativas de advogado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de interferir no processo eleitoral ao suspender por 90 dias suas visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão de Moraes, de 13 de julho de 2026, foi motivada pela divulgação de uma carta política do ex-presidente lida por Flávio em live nas redes sociais. Flávio sustentou que se trata da quinta carta pública de Bolsonaro desde o início das medidas cautelares, sem questionamentos anteriores.
Em transmissão ao vivo, Flávio listou cartas anteriores: uma de dezembro de 2025 confirmando sua pré-candidatura, outra publicada por Michelle Bolsonaro e textos sobre temas políticos. Segundo ele, nenhuma gerou manifestação de Moraes, diferentemente da atual.
COMPARAÇÃO COM O CASO LULA E PRERROGATIVAS DE ADVOGADO
Flávio comparou a situação ao período em que Lula esteve preso, afirmando que o petista pôde escrever 22 cartas e manter articulações políticas. “Olha o critério que tinha com o Lula e olha como está acontecendo com o presidente Bolsonaro”, disse. O senador, que é advogado nos autos da defesa do pai, informou ter recorrido à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para defender suas prerrogativas profissionais de contato com o cliente.
A decisão de Moraes suspendeu visitas de Flávio (limitadas a quartas e sábados, duas horas) e determinou que a defesa de Bolsonaro explique em 48 horas se o ex-presidente tinha ciência da divulgação. O ministro também encaminhou apuração ao Ministério Público Eleitoral por possível propaganda antecipada.
CONTEXTO DA DECISÃO E REAÇÕES
Moraes entendeu que Flávio usou a visita para obter e divulgar carta com fins políticos, configurando desvio de finalidade e violação à proibição de Bolsonaro usar redes sociais direta ou indiretamente. A carta reforça apoio a Flávio como pré-candidato e pede união da direita. A defesa classifica a medida como desproporcional e autoritária.
O caso ocorre em meio à pré-campanha de 2026 e reforça críticas da direita ao que chamam de ativismo judicial de Moraes.

