A Polícia Federal detalhou o funcionamento de um grupo paramilitar ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, a organização criminosa reunia policiais federais (ativos e aposentados), operadores do jogo do bicho e indivíduos com perfil paramilitar para proteger os interesses do banqueiro e de sua família por meio de ameaças, monitoramento ilegal e ações violentas.

O núcleo, informalmente chamado de “A Turma”, era responsável por intimidar adversários, obter informações sigilosas de sistemas da PF, MPF e até Interpol, e executar ordens de coação. A PF classifica a estrutura como uma “milícia privada”, com custo mensal estimado em R$ 1 milhão e forte poderio bélico.

MODUS OPERANDI DA ESTRUTURA CRIMINOSA

O grupo operava em núcleos distintos: um voltado a ações presenciais de intimidação e vigilância física, outro especializado em ataques cibernéticos, invasões de dispositivos e monitoramento telemático (“Os Meninos”). Ordens partiam diretamente de Vorcaro e, segundo fases mais recentes da operação, também de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. Mensagens interceptadas revelam planos explícitos de violência, como “quebrar todos os dentes” de um jornalista crítico.

Elementos como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (codinome “Sicário”), o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, são apontados como peças centrais. A PF destaca a periculosidade do esquema, que combinava corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

CONTEXTO DO CASO MASTER

O escândalo envolve fraudes bilionárias no Banco Master, com indícios de carteiras de crédito falsas vendidas ao BRB e prejuízos que podem superar dezenas de bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A liquidação do banco pelo Banco Central em 2025 deu início à série de operações da PF, que já soma várias fases e prisões preventivas, incluindo a de Vorcaro.

REPERCUSSÃO E ANÁLISE EDITORIAL

Para a direita conservadora e bolsonarista, o caso Master exemplifica a captura de instituições por esquemas criminosos sofisticados, com ramificações que expõem fragilidades no sistema financeiro e no próprio Estado. A existência de uma milícia privada a serviço de um banqueiro reforça críticas ao ativismo judicial seletivo e à impunidade de poderosos, contrastando com a rigidez aplicada a opositores políticos.

O episódio levanta questionamentos sobre tráfico de influência, relações perigosas entre poder econômico, agentes públicos e crime organizado, além de riscos à segurança nacional e à confiança no Judiciário e nos órgãos de controle.