A Polícia Federal localizou no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, uma fotografia que mostra o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL) e outros parlamentares reunidos no rancho do advogado Willer Tomaz, em Planaltina (DF). A imagem, datada de 23 de abril de 2023 e divulgada pela revista *Piauí*, passou a integrar o material analisado pela PF na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias em descontos irregulares de aposentadorias e pensões do INSS e possíveis operações de lavagem de dinheiro. A foto, no entanto, não embasou a fase policial deflagrada em 4 de agosto de 2026.

ENCONTRO FOI ORGANIZADO PELO “GRUPO SELETO”

Segundo a reportagem da *Piauí*, que obteve a imagem do rolo de câmera do celular de Weverton, o registro mostra Willer Tomaz no centro da piscina do Rancho Tomaz, com o punho erguido. Ao seu redor aparecem Weverton Rocha (sentado na beirada), Arthur Lira e Paulo Azi (União Brasil) de pé ao fundo, além de Elmar Nascimento (União Brasil) e Juscelino Filho (PSDB, então ministro das Comunicações) próximos. Alexandre Ramagem também é identificado no grupo.

O encontro ocorreu dois dias após o feriado de Tiradentes e foi combinado em um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”, do qual participavam boa parte dos parlamentares presentes e esposas de alguns deles. O Rancho Tomaz, propriedade do advogado a cerca de 80 km de Brasília, conta com piscina aquecida, academia, quadras de tênis e acesso à Lagoa Formosa.

FOTO INTEGRA MATERIAL DA INVESTIGAÇÃO, MAS NÃO FUNDAMENTOU OPERAÇÃO

A imagem foi encontrada durante a análise do celular de Weverton Rocha, apreendido em fase anterior da Operação Sem Desconto. A PF aponta o senador como figura central em suspeitas de lavagem de dinheiro e o advogado Willer Tomaz como “hub financeiro, patrimonial e logístico” que teria atendido interesses do parlamentar. Entre os elementos citados pela corporação estão a aquisição de uma mansão de R$ 6 milhões no Lago Sul (formalizada por empresa ligada a Tomaz, mas com tratativas envolvendo Weverton) e transferências de cerca de R$ 11 milhões de empresas do advogado para a esposa do senador, Samya Rocha.

A fotografia está sob análise para mapear possíveis vínculos e redes de relacionamento, mas não foi citada na representação que fundamentou os 18 mandados de busca e apreensão cumpridos em 4 de agosto, autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF.

DEFESA DO ADVOGADO E POSIÇÕES DOS PARLAMENTARES

Em nota, Willer Tomaz classificou o registro como de um encontro privado de 2023, sem qualquer relação com as apurações. Afirmou que a imagem foi “vazada ilegalmente” do celular do senador e reiterou que não figura como investigado na Operação Sem Desconto, atribuindo a diligência ao fato de ser proprietário de uma aeronave usada por Weverton em caráter particular.

Paulo Azi confirmou ter estado no rancho a convite para uma comemoração. Elmar Nascimento disse ser próximo de Tomaz, mas afirmou que estava em Minas Gerais na data. Arthur Lira, Alexandre Ramagem e Juscelino Filho não se manifestaram publicamente até o momento da divulgação.

ESQUEMA DO INSS E O CONTEXTO POLÍTICO

A Operação Sem Desconto apura um esquema nacional de descontos irregulares em benefícios previdenciários que, segundo investigações, pode ter movimentado bilhões de reais. Weverton Rocha, aliado do governo Lula e vice-líder no Senado, figura como um dos principais alvos das apurações sobre ocultação de patrimônio e lavagem. A presença de nomes do Centrão e de figuras ligadas a diferentes espectros políticos no rancho de um advogado apontado como operador reforça, na avaliação de setores da oposição, questionamentos sobre redes de influência e proteção no Congresso e no entorno do Planalto.

A direita e os bolsonaristas têm destacado o caso como exemplo da convivência entre o aparato do governo e figuras investigadas em escândalos de desvio de recursos de aposentados. A PF continua a análise do material apreendido, incluindo o celular de Weverton, enquanto as defesas negam irregularidades e atribuem as movimentações a atividades lícitas.