Pesquisa realizada pelo instituto americano McLaughlin & Associates, ligado ao pesquisador John McLaughlin — um dos principais estrategistas eleitorais de Donald Trump —, indica empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em simulação de segundo turno para as eleições de 2026. O levantamento, feito nos dias 27 e 28 de junho com 1.831 eleitores prováveis, não foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No cenário de primeiro turno estimulado, Lula aparece com 40%, Flávio Bolsonaro com 32%, Ronaldo Caiado (7%), Romeu Zema (5%) e Renan Santos (3%). No confronto direto de segundo turno, ambos registram 45%. A sondagem também capta forte insatisfação com o Supremo Tribunal Federal (STF), com 72% dos entrevistados favoráveis ao impeachment de ministros, além de 52% contrários à inelegibilidade de Jair Bolsonaro e 81% favoráveis ao voto impresso.

INSTITUTO REPUBLICANO E CONTEXTO DE TENSÕES BRASIL-EUA

O McLaughlin & Associates é conhecido por atuar em campanhas republicanas nos Estados Unidos e tem histórico de proximidade com Trump. Fontes próximas à Casa Branca indicam que os dados foram apresentados ao presidente americano, o que reforça o chamado “fator Trump” na política brasileira. O momento da pesquisa coincide com tensões comerciais entre Brasil e EUA, incluindo ameaças de tarifaço e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas — medidas que dividem opiniões e são vistas por parte da direita como sinal de endurecimento contra o crime organizado.

Diferentemente dos institutos brasileiros tradicionais (Datafolha, BTG/Nexus, AtlasIntel, Quaest, entre outros), que geralmente registram vantagem de Lula — muitas vezes fora da margem de erro no segundo turno —, a sondagem americana surge como contraponto no campo conservador.

DESCONTENTAMENTO POPULAR COM O STF

Um dos destaques da pesquisa é o elevado apoio ao impeachment de ministros do STF. O número de 72% alinha-se a outros levantamentos que indicam rejeição recorrente ao que a direita classifica como ativismo judicial. Temas como voto impresso e questionamentos à inelegibilidade de Bolsonaro também aparecem com forte respaldo popular na sondagem, reforçando pautas históricas do bolsonarismo.

REAÇÃO POLÍTICA E COBERTURA DA IMPRENSA

Portais alinhados à direita, como Varela Net, destacaram o empate e o elo com Trump como sinal de viabilidade conservadora e alerta ao Planalto. Grandes veículos deram menor ênfase ou priorizaram pesquisas registradas no TSE, onde Lula lidera. A ausência de registro da McLaughlin no TSE é frequentemente citada como limitação, embora o instituto tenha metodologia consolidada em pesquisas internacionais.

Flávio Bolsonaro ganha fôlego para demonstrar competitividade, enquanto o governo Lula tende a minimizar o resultado e reforçar narrativa de “ingerência externa”. Nas redes, o campo conservador amplifica os números como motivação contra o que considera excessos do Judiciário.

IMPACTOS E POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

A pesquisa alimenta o debate sobre polarização e pressiona o Congresso em temas institucionais, como PECs de reforma do STF e defesa do voto impresso. Pode influenciar doações, alianças e mobilização da base bolsonarista, especialmente em um cenário de tensões comerciais com os EUA. Para a esquerda, reforça a necessidade de contra-narrativa sobre soberania nacional.