Lucas Pavanato, do PL, eleito deputado federal mais votado de São Paulo com cerca de 3 milhões de votos, voltou a explicar por que usou funk na campanha depois de ter associado o gênero ao crime organizado na CPI dos Pancadões. Questionado pelo Metrópoles nesta entrevista publicada neste sábado, 10, ele disse que o posicionamento é contra o funk da periferia que faz apologia. “Eu critiquei apologia, eu critiquei sexualização e objetificação de mulheres e eu continuo criticando isso. Acho que são músicas extremamente nocivas, que prejudicam a imagem da mulher.”

Como vereador, Pavanato foi relator da CPI criada em 2025 na Câmara de São Paulo para apurar festas clandestinas e pancadões. No relatório, escreveu que esses bailes, em determinados contextos, funcionam como espaço de difusão e normalização da narcocultura, e que legitimam o crime organizado, o tráfico e a violência como meio de ascensão. Em setembro, já candidato, publicou o jingle “Corte Rápido (Funk do Pavanato)”, com o refrão pedindo voto no 2211, de óculos Juliet e caixa de som. Na época, a explicação foi a mesma linha de agora: o problema é a letra, não o ritmo, e jingle não é apologia.

Na mesma entrevista, o primeiro foco que ele anunciou para Brasília é limitar os poderes do Supremo e pressionar o impeachment de Alexandre de Moraes, que cabe ao Senado julgar. Também citou redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos e o fim da reeleição para presidente, governador e prefeito. O funk da campanha não apaga o relatório da CPI. O que ele sustenta é que uma coisa é o ritmo usado para pedir voto, e outra é a letra que, no entendimento dele, faz propaganda do crime e rebaixa a mulher.