A União Europeia suspenderá, a partir de quinta-feira (3), as importações de carne bovina e de aves do Brasil, além de outros produtos de origem animal. A Comissão Europeia retirou o país da lista de exportadores autorizados depois de considerar insuficientes as informações apresentadas sobre o cumprimento das regras de uso de antimicrobianos na pecuária. As normas europeias proíbem antibióticos usados para acelerar o crescimento dos animais e restringem substâncias reservadas ao tratamento de infecções humanas.

Segundo dados do Ministério da Agricultura citados pelo Poder360, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de carnes brasileiras em 2025, no valor de US$ 1,8 bilhão — aproximadamente R$ 9,3 bilhões. Desse total, a carne bovina respondeu por US$ 1,048 bilhão e o frango por US$ 762 milhões. O montante representa a receita anual colocada em risco caso o embargo permaneça, e não um prejuízo de R$ 9,3 bilhões já integralmente consumado.

O governo brasileiro prometeu em maio tomar “prontamente” as medidas necessárias para reverter a exclusão, mas a suspensão foi formalizada em junho e chegou à véspera da entrada em vigor sem solução anunciada. A União Europeia afirma que as compras poderão ser retomadas quando o Brasil comprovar conformidade; auditorias sobre aves e mel estão em andamento, enquanto a liberação da carne bovina pode levar mais tempo. Representantes do setor também apontam possível protecionismo europeu, mas a justificativa oficial do bloqueio é a falta de garantias sanitárias consideradas suficientes.