A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta quarta-feira (23) pedido para que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mande a Polícia Federal apurar interferência estrangeira na eleição presidencial, segundo o Estadão. O destino não foi o Tribunal Superior Eleitoral, que preside o calendário e julga propaganda, caixa e abuso. Foi a ADPF 1.178, que Dino já relata desde 2025, nascida de ação do Instituto Brasileiro de Mineração sobre municípios brasileiros em juízo no exterior. Em agosto daquele ano Dino firmou que ato unilateral estrangeiro não produz efeito interno sem cabimento na ordem nacional. O advogado Angelo Ferrari escreveu que o PT só quer “complementar” essa tese e estendê-la à urna, às plataformas e ao dinheiro.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A jogada ecoa a da semana passada, quando o governo atravessou o TSE e foi a Gilmar Mendes pedir aval ao reajuste do Bolsa Família. Edinho Silva, presidente do PT, chamou o gesto de apuração de “ingerência internacional”. A petição cita a Rockbridge Network, publicidade paga no X a partir do exterior em ao menos 11 perfis entre 18 e 21 de setembro, e conteúdo de Brasil Paralelo e Quinto Elemento oferecido à Academia da Direita, ligada ao PL. Enquanto isso, Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, mandou a campanha de Lula tirar do ar o vídeo sobre o Banco Master gravado no Alvorada e cobrou Meta e WhatsApp sobre anúncios políticos. Segundo a coluna do Estadão, aliados de Alexandre de Moraes preparam ofensiva para constranger Nunes Marques no plenário do Supremo.

Ministro Edson Fachin, presidente do STF

O Código Eleitoral reserva ao TSE a polícia da urna. O PT reserva a Dino a polícia da narrativa. Gilmar fez o ensaio no Bolsa; Dino recebeu a peça principal. A interferência que o partido quer investigar é a americana. A que o eleitor vê é a escolha do juiz. Cabe a Dino dizer se a ADPF de 2025 vira inquérito de 2026. Cabe ao TSE dizer se ainda é a casa da eleição. Até o despacho, o processo já saiu do tribunal que conta voto e entrou no gabinete que conta prazo.

Palácio do Planalto