MPF INVESTIGA FABIANA BOLSONARO APÓS DISCURSO DE PROTESTO NA ALESP
Órgão federal acolhe representação do PSOL contra deputada estadual após encenação que questionou a ocupação de espaços femininos por parlamentares trans.
O Ministério Público Federal (MPF) determinou, na última terça-feira (31/03), a abertura de um inquérito contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) para apurar supostos crimes de racismo e transfobia cometidos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A decisão do procurador da República Michel Francois Vrizul Havrenne ocorre após a parlamentar realizar um protesto em plenário utilizando maquiagem marrom, ato classificado pela esquerda como blackface.
INVESTIGAÇÃO FOI MOTIVADA POR PRESSÃO DA BANCADA DO PSOL
O inquérito foi instaurado a partir de uma solicitação direta de parlamentares do PSOL, que acusam a deputada de violar direitos coletivos e praticar injúria racial. Fabiana Bolsonaro utilizou a tribuna da Alesp para criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, argumentando que mulheres trans estariam ocupando espaços destinados a mulheres biológicas.
INTERLOCUTORES DEFENDEM PONTOS DE VISTA DIVERGENTES NO EPISÓDIO
Durante a sessão, conforme trechos da transcrição do vídeo divulgado pelo canal Metrópoles em 1º de abril de 2026, a parlamentar explicou que sua ação foi um experimento para demonstrar que a identidade não pode ser simplesmente assumida externamente. "Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo?", questionou Fabiana ao justificar a analogia. Por outro lado, a deputada Bet Sarão e integrantes da Bancada Feminista do PSOL reagiram classificando o ato como uma prática racista histórica e discriminatória, exigindo punições severas no Conselho de Ética.
DEFESA DE FABIANA BOLSONARO NEGA INTENÇÃO DE DESRESPEITO
Em nota oficial emitida por sua equipe jurídica, a deputada do PL negou veementemente a prática de racismo e afirmou que não houve qualquer intenção de ofensa aos grupos citados. A defesa sustenta que o ato foi exclusivamente um "experimento social" voltado ao debate político sobre o lugar de fala e a preservação das pautas femininas. Até o momento não há confirmação oficial desta informação sobre a conclusão do inquérito pela Polícia Federal, para onde o caso foi encaminhado.

HISTÓRICO DA PARLAMENTAR E USO DE RECURSOS ELEITORAIS
O caso ganhou novas camadas com a revelação de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indicando que Fabiana Bolsonaro se declarou parda nas eleições de 2022, tendo inclusive recebido repasses do fundo eleitoral destinados a candidatos negros. De acordo com reportagem da Agência Brasil de 19 de março de 2026, adversários políticos utilizam essa informação para acusar a parlamentar de contradição, enquanto seus aliados defendem que a autodeclaração é um direito legítimo e que o foco da investigação é uma tentativa de silenciamento ideológico.
IMPACTOS INSTITUCIONAIS E O FUTURO DO MANDATO NA ALESP
Além do inquérito federal, a deputada já é alvo de uma investigação civil no Ministério Público de São Paulo por possível dano moral coletivo. O desdobramento jurídico pode resultar em uma representação por quebra de decoro parlamentar na Alesp, o que coloca em risco a continuidade de seu mandato. O episódio reforça a crescente tensão entre as alas conservadoras e progressistas no Legislativo paulista, especialmente em temas que envolvem identidade de gênero e representatividade racial.
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