MPDFT ACUSA BLAZE E VIRGINIA FONSECA DE USAR MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA EM PROPAGANDA DE APOSTAS
Ministério Público do Distrito Federal ajuíza ação civil pública contra plataforma de apostas e influenciadora por suposto uso de “dark patterns”, senso de urgência e técnicas comportamentais para induzir apostas, pedindo R$ 120 milhões em indenização por danos morais coletivos.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou ação civil pública contra a plataforma de apostas Blaze e a influenciadora Virginia Fonseca por supostas práticas abusivas de publicidade que utilizariam mecanismos de manipulação psicológica para incentivar o jogo.
Servidores do MPDFT se cadastraram na plataforma como clientes para coletar provas, monitorando e-mails promocionais e estratégias de marketing.
ESTRATÉGIAS APONTADAS PELO MP
Segundo a ação, assinada pelo promotor Paulo Roberto Binicheski, a Blaze adota envio ostensivo de mensagens com linguagem persuasiva, senso de urgência artificial e técnicas conhecidas como “dark patterns” (padrões escuros de design), que induzem decisões impulsivas dos usuários.
O MP identifica o uso de princípios da psicologia comportamental, como efeito dotação, princípio da escassez, fluência de processamento e sobrecarga cognitiva, com o objetivo de aumentar a frequência e o valor das apostas.
PAPEL DOS INFLUENCIADORES
Virginia Fonseca é descrita como “braço operacional da captação”, que, ao recomendar a plataforma, confere credibilidade e transforma a propaganda em “selo de aprovação”, gerando expectativa legítima nos seguidores.
O promotor afirma que a publicidade não se limita a mero erro, mas configura uma “engenharia predatória” voltada à exploração de vulnerabilidades cognitivas dos consumidores.
PEDIDOS DA AÇÃO
O MPDFT requer a condenação da Blaze e de Virginia Fonseca ao pagamento mínimo de R$ 120 milhões em indenização por danos morais coletivos. O órgão também solicita acesso aos contratos firmados pela plataforma com outros influenciadores, como Lucas Lira, Bruna Sunaika e Neymar Jr.
CONTEXTO
A ação reforça o debate sobre a regulação da publicidade de apostas esportivas no Brasil, especialmente quando direcionada ao público amplo via influenciadores digitais.

