Moura: vitória de Flávio no primeiro turno deixou de ser surpresa
Economista do Ideia disse isso na semana passada ao Estadão; a Quaest desta segunda mostrou o centro migrando e o senador numericamente à frente no segundo turno
O economista Maurício Moura, fundador do instituto Ideia e professor da Universidade George Washington, disse na semana passada ao Estadão que não seria surpresa se Flávio Bolsonaro (PL) vencesse Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno de 4 de outubro. Chamou os números de reeleição do petista de “frágeis” e falou em “antipetismo de chegada”: o eleitor de centro abandona o candidato de preferência para votar em quem pode derrotar o PT. Nesta segunda (14), a Quaest do Globo reforçou o movimento. No primeiro turno Lula segue com 36% e Flávio sobe de 29% para 31%. No segundo, o senador aparece com 42% contra 40% — vantagem numérica inédita na série da campanha. Entre independentes, Flávio foi a 36% e Lula a 26%.
Duas notas de Lauro Jardim, no Globo, ajudam a ler a migração. Em 4 de setembro o colunista escreveu que o comando da campanha de Lula decidiu entrar na guerra do STF: o presidente gravou vídeo sobre o Master e conversou com Gilmar Mendes, Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin e o procurador-geral Paulo Gonet. Em 13 de maio, a mesma coluna registrou que Daniel Vorcaro, além do Dark Horse sobre Jair Bolsonaro, teria injetado recursos no documentário “Lula”, de Oliver Stone, e em “963 dias”, sobre Michel Temer. A Secom negou pedido do Planalto. Elsinho Mouco, produtor do filme de Temer, negou ter cobrado o banqueiro. Temer recebeu R$ 10 milhões para mediar Master e BRB.
O eleitor de centro vê o contraste. De um lado, o Planalto senta com o núcleo do Supremo que tentou blindar Moraes. De outro, o mesmo banqueiro que pagou o filme do Lula e o do Temer é o nome das 52 mensagens, do contrato de R$ 130 milhões com o escritório da mulher do ministro e da sessão de terça que pediu vista e ganhou 90 dias. Moura descreveu o primeiro turno como cenário provável, não milagre. A Quaest desta semana mostrou o centro andando. A disparidade que Lauro Jardim documentou — reunião no STF e o caixa do Master nos dois lados do cinema — é o atalho dessa caminhada.

