O jornalista Cláudio Dantas e a jornalista Madeleine Lacsko relataram o temor de que o Supremo Tribunal Federal parta para o tudo ou nada e empurre ou suspenda as eleições de 2026. Lacsko escreveu no X e no Instagram que o PT trabalhava o briefing de adiar o pleito depois de tratar André Mendonça como peça de um “golpe”. Dantas vem descrevendo a mesma hipótese: a Corte, acuada pelo dossiê de Alexandre de Moraes e pelas pesquisas, não aceitaria uma urna com Flávio Bolsonaro na frente. Nenhum dos dois apresentou decreto de suspensão. Apresentaram o risco.

A Constituição, no artigo 77, marca o primeiro turno no primeiro domingo de outubro e o segundo no último domingo do mesmo mês. Em 2026, 4 e 25 de outubro. Mudar a data nacional exige emenda constitucional no Congresso. O TSE já habilitou as chapas, inclusive Lula-Alckmin e Flávio-Alfredo Gaspar. A Quaest de segunda (14) colocou Flávio numericamente à frente no segundo turno, 42% a 40%, e encurtou a distância no primeiro para cinco pontos. Independentes: 36% a 26%. A sessão de terça no STF não tocou no calendário. Pediu vista. O prazo é de até 90 dias — depois da urna, se Dino usar o relógio inteiro.

O “tudo ou nada” que Dantas e Lacsko nomeiam é este: a Corte que se julga a si mesma a 18 dias do voto. Não há, até aqui, decisão que cancele o domingo de outubro. Há o briefing que ela denunciou, a vista que comprou tempo e a pesquisa que mostra Flávio na frente onde o centro decide. Quem quiser empurrar a urna precisa de PEC, de maioria e de um Senado que o Planalto não controla sozinho. Cabe ao STF não transformar o próprio processo em pretexto. Cabe ao eleitor chegar no dia 4.