MORAES USA DOCUMENTO APÓCRIFO QUE ATINGE MESSIAS E PODE BARRAR NOVA INDICAÇÃO AO STF
Relatório sem valor probatório associou o chefe da AGU a uma suposta estratégia de André Mendonça para alterar o equilíbrio de forças dentro do Supremo.
O documento apócrifo da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes para acusar André Mendonça também atingiu diretamente o advogado-geral da União, Jorge Messias. O relatório associou a recusa da AGU em contestar decisões de Mendonça a uma suposta “relação política” entre os dois e citou o apoio do ministro à indicação de Messias para o STF como parte de uma possível estratégia para alterar a correlação de forças dentro da Corte.
A AGU reagiu e afirmou que não possuía competência constitucional ou legal para promover a intervenção solicitada pela Polícia Federal nos processos criminais relatados por Mendonça. O órgão classificou o pedido como uma “intervenção processual” sem precedente e sustentou que a medida poderia colocar as próprias investigações em risco. O relatório usado por Moraes não tem assinatura de delegado, foi classificado pela PF como documento interno sem valor probatório e atribuiu baixo grau de confiança à hipótese política envolvendo Mendonça e Messias.
O episódio abre um novo embate entre Moraes e o chefe da AGU e pode comprometer politicamente uma eventual tentativa de Lula de indicar Messias novamente ao Supremo. O documento não cria impedimento jurídico para uma nova indicação, mas oferece munição para senadores contrários ao nome e reforça a narrativa de que sua chegada à Corte beneficiaria o grupo de Mendonça. Messias já foi rejeitado pelo Senado em abril, por 42 votos a 34, e uma segunda tentativa dependeria de Lula reconstruir apoio suficiente para superar a resistência política ampliada pela crise.

