O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, declarou-se impedido nesta segunda-feira (21/9), por volta das 18h40, de relatar o mandado de segurança que pede os registros de entrada no Senado de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), de Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS), do sindicalista Frei Chico e de outras pessoas. Segundo divulgado pela Veja, a decisão veio horas depois de o Radar revelar que Moraes havia sido sorteado na semana passada para cuidar do caso.Ministro Alexandre de Moraes, do STF

O afastamento fundamenta-se no Código de Processo Civil, que veda ao juiz atuar quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro. O mandado foi apresentado pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) na Justiça Federal do Paraná e remeteu-se ao STF por envolver o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Kilter havia feito três pedidos com base na Lei de Acesso à Informação; todos foram negados sob a alegação de que dados de acesso às dependências do Senado são de caráter pessoal. Ainda não há definição do novo relator.Congresso Nacional, em BrasíliaMinistro Alexandre de Moraes em sabatina no Senado

Ao se declarar impedido só depois da exposição pública do sorteio, Moraes confirma o conflito de interesses que a crise do Master já havia tornado evidente: a esposa aparece na lista cuja transparência o Senado bloqueia, ao lado de Vorcaro e de figuras ligadas ao lulismo. A manobra jurídica não apaga o fato político — a Corte e o Congresso seguem protegendo o sigilo de quem circula nos bastidores do poder enquanto a opinião pública cobra luz sobre a rede do banqueiro. Fontes: Veja.