Alexandre de Moraes disse a interlocutores do meio jurídico que a eleição do Senado foi uma reversão do cenário que ele imaginava. A informação é da coluna de Bela Megale, no Globo, publicada neste sábado. O ministro contou que a leitura que recebeu de Davi Alcolumbre era outra. Senadores de centro seriam eleitos e a Casa não teria maioria contrária ao Supremo. Moraes também trabalhava com a permanência do próprio Alcolumbre na presidência do Senado, aliado e amigo, porque é o presidente da Casa quem decide se um pedido de impeachment entra na pauta.

Essa conta não fechou. A coluna registra que mais de 50 senadores que defendem o impeachment de ministros do Supremo ocupam cadeiras a partir de 2027. O número, sozinho, não condena ninguém. A condenação no Senado exige 54 votos, dois terços. O que muda agora é a porta de entrada. Sem Alcolumbre pautando, os pedidos ficam na gaveta. Com uma bancada desse tamanho e com a presidência da Casa em disputa em fevereiro, a gaveta deixa de ser garantia. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, tem dito a ministros do Supremo que há disposição de diálogo, mas que não abrem mão do impeachment de Moraes.

O vídeo do advogado André Marsiglia lê esse relato como Alcolumbre tendo iludido Moraes, e fala em pânico. O que a coluna do Globo registra é surpresa e a palavra reversão, dita pelo próprio ministro a pessoas próximas, sobre uma previsão que veio do presidente do Senado e não se confirmou na urna. A reeleição de Alcolumbre, que Moraes tratava como barreira, passa a depender de um Senado eleito com outra cara.