O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de bens e o sequestro de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz, alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão foi proferida nesta sexta-feira, 23 de outubro, dias após virem a público informações sobre movimentação financeira bilionária de Tomaz em plataformas de apostas esportivas. Além dos bloqueios patrimoniais, Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do advogado, inclusive um diplomático, sob o argumento de que ele viajou para o exterior após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal.

As medidas atingem Tomaz e empresas ligadas a ele, como Alcazar Brasil Ltda., Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral – Holdings SGPS. Moraes ordenou ainda a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais das companhias e que bancos e instituições financeiras enviem, em 24 horas, dados completos sobre as contas, incluindo co-titulares.

A investigação tem como um dos pontos centrais o fato de Flávio Bolsonaro ter sido cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings no Santander, o que, segundo a PF, conferia elevado nível de gerenciamento até meados de 2025. O senador e o advogado afirmam ser amigos, mas negam manter negócios em comum. A defesa de Tomaz classificou as medidas como desproporcionais e nega irregularidades.

O caso se soma a outras frentes envolvendo Tomaz, que já havia sido alvo da Operação Sem Desconto (fraudes no INSS) e de apurações sobre movimentações atípicas em apostas. A decisão de Moraes amplia o alcance das medidas no inquérito que tramita no STF.